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Quem está por trás do Brasil Paralelo? Ninguém menos que a pérfida maçonaria.


Senhores, mais uma vez o mundo olavético nos presenteia com um show de comédia política e histórica. Não bastasse a histeria de considerar tudo fruto de conspirações russas ou comunistas, absolvendo outros agentes, agora os micos amestrados do guru da Virgínia se lançaram no projeto chamado “Brasil Paralelo”. O objetivo é fornecer uma visão da história do Brasil sem a “ideologização esquerdista” que prevalece no ensino da nossa história tal como dado nas universidades e escolas. O projeto conta com patrocinadores e tem uma série de vídeos muito bem produzidos desde o ponto de vista técnico. Tirando a qualidade da imagem, não há nada de muito notável no mesmo – a não ser a ignorância crassa de certos comentários e o fato de oferecer uma interpretação inusitada de nossa história.

O Brasil Paralelo não oferece nenhuma informação decisivamente nova a respeito da história do Brasil. As questões abordadas no primeiro vídeo, no que diz respeito a história de Portugal, podem ser conhecidas em bons manuais. O segundo vídeo “surfa” na idéia de desconstruir visões estabelecidas nas obras de referência didáticas e nas cátedras acadêmicas sobre nossa história pátria. Tal desmontagem é feita, sobremaneira, a partir dos elementos já elencados na obra de Leandro Narloch (Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil), um jornalista que reuniu algumas referências de obras historiográficas nacionais e internacionais de autores que fogem dos esquemas – aqui e acolá – do materialismo histórico.

Vamos adiante pois o que nos move, neste primeiro artigo, não é fazer um exame exaustivo sobre os erros mais graves dos dois primeiros vídeos do Brasil Paralelo, mas sim apontar o fundo do problema que envolve o projeto.

***

Primeiro há que destacar a presença de alguns historiadores profissionais no projeto. Há, também, é verdade, alguns professores de história ali. O que é bastante irônico nisto tudo é que sabemos que a Olavosfera se funda na tese de que nossas universidades são cancros intelectuais, idéia mil vezes repetida pelo sr. Carvalho. Todavia, vemos no projeto Brasil Paralelo, um enxame de figuras saídas do mundo universitário brasileiro. Não deixa de parecer contraditório que tenhamos, num projeto que visa libertar o imaginário nacional dos padrões intelectuais acadêmicos, inúmeros figurões acadêmicos? Se os diplomas universitários nada valem, como assevera Olavo, por que recorrer a gente diplomada?

Um deles é Jorge Caldeira, historiador e jornalista. Graduado pela USP – a mesma USP que Olavo defenestra no Imbecil Coletivo como foco do “esquerdismo cultural”– Caldeira, tem, no seu currículo, vários livros publicados e a participação no projeto “Brasil, 500 anos” da Globo. Na época do “Brasil, 500 anos”, não faltaram críticas ao evento por se tratar de uma abordagem rasa e acrítica de nossa História. O “Brasil, 500 anos” do qual Caldeira participou, tratou o país a partir de um crivo mítico: seríamos um país fabuloso, uma "belíssima paisagem". Dessa forma o passado (os traumas da nossa história) era negado. A nossa formação frustrada negada e nosso presente mitificado (a nação promissora e soberana). Sabe-se que o maior idealizador do Brasil 500 é o mesmo figurão publicitário que, numa "Roda Viva" exibido em 97, disse: "Precisamos perder a vergonha e começar a nos vender como país". Ou seja: o Brasil 500 não passava de peça de propaganda. Evidente que não pretendemos reduzir a obra de Caldeira a chanchada do Brasil 500 da Globo mas isto é, no mínimo, um desconforto para o Brasil Paralelo que pretende oferecer uma visão objetiva e séria da nossa história, uma visão profunda e liberta de ideologias se escorando em figuras que participaram de algo tão canhestro.

Note-se, porém, que a presença de Caldeira no Brasil Paralelo não é um acaso, tampouco nossa insistência em tratar dele aqui. Caldeira sustenta a tese de que a dinâmica econômica e social do Brasil, na era colonial, não estava a mercê da Metrópole. Nós teríamos uma dinâmica própria, original. A metrópole perde importância e o Brasil ganha autonomia desde seus albores, dentro desta tese. O motor de nossa história não seria a metrópole mas uma dinâmica interna ao país e às suas particularidades. O papel organizador do governo central e da Monarquia Lusitana, na nossa formação, desaparecem na tese de Caldeira. O Brasil já era uma democracia desde 1532 pois sempre subsistiram eleições para as vilas em toda a era colonial, ele dirá. Nossa economia era livre e empreendedora desde sempre, prova disso é o “papel do fiado” na economia informal, aduz Caldeira. Ora, segundo ele, esta forma de economia e sociedade teria nascido antes da democracia burguesa e seria resultado dos deserdados que colonizam a terra num espírito de confrontação a autoridade central e real. A tese de Caldeira não fica muito distante do molde do materialismo histórico, onde é a luta de classes o princípio explicativo da formação histórica. Deserdados x Poder Régio: este é o esquema de Caldeira. É com tal esquema que o Brasil Paralelo pretende confrontar a visão marxista sobre a nossa História?

A obsessão de Caldeira é confrontar o modelo de Frei Vicente de Salvador, o primeiro historiador brasileiro, o primeiro a escrever uma história do Brasil. Salvador punha o acento sobre a Metrópole enquanto fator organizacional e estruturante de nosso processo histórico.

Outro ponto a notar é que Caldeira defende que os Templários tiveram um papel fulcral no descobrimento do Brasil. Segundo o mesmo esta ligação se daria via Ordem de Cristo, fundada em Portugal por Dom Dinis e que era herdeira da tradição templária. A tese de Caldeira – exposta pela revista Superinteressante - vale a pena ser lida por razões didáticas: serve para evitarmos certos equívocos e simplificações. A tese possui erros notórios, visíveis para qualquer historiador de mediana formação; vamos a eles:

1. “só a Ordem de Cristo, uma companhia religiosa-militar autônoma do Estado e herdeira da misteriosa Ordem dos Templários (veja na página 40), tinha autorização papal para ocupar – tal como nas cruzadas – os territórios tomados dos infiéis (no caso brasileiro, os índios).”

É verdade que a Ordem de Cristo – um reforma da Ordem dos Templários em Portugal - tinha tal autorização mas não é verdade que se pudesse falar, desde 1500, que os índios eram infiéis. A impressão que havia de início na cristandade, era que os índios podiam ser descendentes de Adão, antes do pecado original. A crença na inocência dos índios era baseada na imagem de nudez ressaltada por Pero Vaz Caminha, que será retomada, com menos talento literário, por Vespucci . Caminha contrasta a ingenuidade comercial e a confiança inicial destes homens que, desde o primeiro dia, se estendem e dormem no convés do navio, com a deslealdade, a cupidez e a sede de ouro e prata dos portugueses.


A alegação de Caldeira é simplesmente grotesca para um historiador profissional. Outrossim Caldeira tenta mostrar que nossa descoberta teria sido fruto de um conhecimento preservado em segredo pelos templários e que, portanto, não teria sido ocasional como diz Frei Vicente de Salvador: “A terra do Brasil, que está na América, uma das quatro partes do mundo, não se descobriu de propósito, e de principal intento; mas acaso indo Pedro Álvares Cabral, por mandado de el-rei d. Manuel, no ano de 1500 para as Índias, por capitão-mor de 12 naus, afastando-se da costa de Guiné, que já era descoberta ao Oriente, achou estoutra ao Ocidente, da qual não havia notícia alguma, foi costeando alguns dias com tormenta até chegar a um porto seguro, do qual a terra vizinha ficou com o mesmo nome”. (História do Brasil por Frei Vicente do Salvador; Livro Primeiro, Capítulo 1). Ora Frei Vicente teve acesso a muitos documentos da coroa lusitana sobre nossa descoberta e início de nossa colonização além de ter tido acesso a muitos testemunhos orais de pessoas que haviam presenciado acontecimentos. Alegar que houvesse uma desconfiança dos portugueses quanto a existência de terra para este lado do oceano é até plausível. Afirmar que templários sabiam da existência do Brasil é pura especulação que não pode ser apoiada nem mesmos em indícios. Isso deixa clara a incompetência analítica de Caldeira.

2. “No começo do século XV, Portugal era um reino pobre. A riqueza estava na Itália, na Alemanha e em Flandres (hoje parte da Bélgica e da Holanda). Então como foi que os lusitanos encabeçaram a expansão européia? A rica Ordem de Cristo foi o seu trunfo decisivo.”

Mais uma vez Caldeira erra. Há referências de relações comerciais entre Portugal e o Condado de Flandres desde 1267 (In: Joel Serrão, "O carácter social da revolução de 1383", p. 95, Livros Horizonte, 1976). Em 1297, com a conclusão da Reconquista, o rei D. Dinis fez políticas em matéria de legislação ordenando a exploração de minas de cobre, prata, estanho, ferro, organizando para exportação, a produção excedente para outros países europeus. Em 1293, D. Dinis instituiu a Bolsa de Comércio, um fundo comercial para a defesa dos comerciantes portugueses em portos estrangeiros, como o Condado de Flandres, que tinham de pagar determinadas quantias em função da tonelagem, obtidos por eles quando necessário (In: E. Michael Gerli, Samuel G. Armistead, "Medieval Iberia: an encyclopedia, Volume 8 of Routledge encyclopedias of the Middle Ages", p.285) . Em 1308, assinou o primeiro contrato comercial de Portugal com a Inglaterra.

Portugal, portanto, já possuía capital acumulado suficiente e uma estrutura comercial para custear a expansão marítima. Não é necessário recorrer a Ordem de Cristo para explicar o financiamento das conquistas. Desde o fim do século 13, Portugal estava ligado às praças mercantis mais importantes do mundo europeu. Ainda que o capital da Ordem tenha sido usado neste processo nada demonstra que ele tenha sido a causa decisiva, pois o processo já estava em curso antes mesmo do estabelecimento da referida Ordem no reino lusitano.

3. ”Em 1416, quando assumiu o cargo de grão-mestre, d. Henrique lançou-se à diplomacia. Passaram-se cem anos desde que os templários haviam sido condenado nos processos de Paris e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que crescera muito no século XIV.”

O Vaticano só foi criado pelo Tratado de Latrão em 1929.

Cremos que um erro tão grosseiro basta para demonstrar que Caldeira não é lá grande coisa.

***

Além de Caldeira, o Brasil Paralelo traz outras figuras pouco relevantes para se entender a história do Brasil como Rafael Nogueira - que sequer é formado em história; segundo o site do projeto, ele se destaca por ser “Aluno de Olavo de Carvalho há dez anos” além de ser formado em filosofia e Direito pela Universidade Católica de Santos e pós-graduado em Educação; o site diz que ele é pesquisador da história mas não refere que pesquisas seriam estas e onde elas se encontram - Thomas Giuliano - que segundo o site do projeto “respeita a singularidade do direito à escolha própria dos indivíduos” e que se autodefine como pesquisador autodidata – Sérgio Pachá – chamado historiador pelo site do projeto mas que não tem formação alguma em história (a não ser em língua e literatura) nem nada publicado sobre História, pelo que sabemos – Daniel Fernandes – segundo o site ele “é pesquisador dedicado aos estudos patrísticos e à história intelectual do Brasil contemporâneo” mas sem nenhum artigo, livro, livreto publicado sobre tais “pesquisas” - entre outros. No mais, a maioria dos nomes responsáveis pelo projeto, são de áreas estranhas a história, não estando habituados ao trato científico com os problemas historiológicos e historiográficos, não tendo nada publicado sobre história de Portugal, Brasil, colonização, navegações lusas, tirando uma ou outra exceção (Caso de Alberto da Costa e Silva).

Trataremos da incapacidade teórica e prática no lidar com a História, por parte do projeto e de suas figuras, mais a frente. O que queremos agora é compreender o que está por trás do projeto e a razão de a tese de Caldeira ser bastante veiculada no primeiro vídeo da série. 

***

Lembremos que, tempos atrás, a Olavosfera promoveu um documentário sobre José Bonifácio. Nele a tese basilar é que Bonifácio teria sido o pai do Brasil, aquele que concebeu e pensou o país como Estado Nação. Não custa recordar que Olavo de Carvalho, faz anos, vem insistindo num louvor demasiado à tradição estadunidense. Logo, não é sem razão que a referência a Bonifácio se faça nestes moldes. O modelo interpretativo que aparece no documentário sobre Bonifácio lembra muito a interpretação dominante sobre a história dos EUA. Bonifácio vira o “Fouding Father” do Brasil, exatamente como os EUA tiveram os seus “Founding Fathers”. Na concepção do documentário o Brasil, mais que projeto da Monarquia Lusitana, é obra de um maçom, assim como os EUA foram obra da articulação maçônica. Aliás quem assevera que os EUA são fruto disto não somos nós mas Olavo mesmo: para sermos mais específicos o sr. Carvalho aduz que a aristocracia dos Estados Unidos, como ele afirma no Jardim das Aflições – livro do fim da década de 90 que foi reeditado recentemente - é toda maçônica: “todos os signatários da Declaração de Independência são maçons” – o que é verdade, diga-se de passagem. A maçonaria é responsável, segundo Olavo, não por este ou aquele evento histórico determinado, mas pela “determinação do âmbito dentro do qual os eventos históricos se desenrolaram”.


Ninguém ignora a atual Americanofilia de Olavo. Esta fica patente seja pela adoção de um discurso político que se pauta por um conjunto de idéias que remetem à ideologia do partido republicano – as loas dele ao antigo governo Bush e seu anti obamismo radical deixaram isto claro por anos a fio - seja pelo seu hábito de desculpar a cultura e história dos EUA por qualquer coisa relativa a “globalismo ocidental”, seja mesmo pela opção de valorizar, sobremaneira, escritores anglo-saxões no famigerado COF.

O plano de Olavo – já delineada no True Outspeak, no COF, nas suas intervenções culturais várias - que explica a natureza profunda do Brasil Paralelo, é bem simples: despojar o Brasil de sua identidade própria, de sua forma de ser, para adotar um outro modelo de civilização. Mas não era disso que ele falava no livro “O Futuro do Pensamento Brasileiro”, onde ressaltava que, quanto mais nos ocupássemos de nossa identidade menos relevância teria nossa cultura? Assim ao invés de enfatizar nossa raiz “patriarcal-corporativa-centralista” de origem lusitana, enfoca-se uma nova tradição “individual/liberal/democrática” (Não é sem razão a participação de um Bruno Garschagen e de membros do Instituto Mises Brasil no projeto; lembramos que Garschagen força uma interpretação da história econômica do Brasil em bases liberais onde chega mesmo a dizer que, antes de Pombal, havia uma tradição de livre iniciativa no país) bem parecida com a estadunidense (Tínhamos liberdade econômica mas veio Pombal e nos tirou este direito como ocorreu com as 13 colônias que tinham liberdade mas vieram a perdê-la graças as intervenções do governo inglês). Ora, se somos assim tão parecidos por que não nos espelharmos na tradição dos EUA a fim de restaurar a pátria? 

Então, onde o Brasil Paralelo quer chegar? Nos parece claro que o objetivo do projeto é o seguinte:

1. Valendo-se da tese espúria de Caldeira, os templários viram a "elite que forjou Portugal" e, por tabela, do Brasil (Diga-se de passagem que a tese da influência templária direta, ou mesmo decisiva, sobre as navegações, é apenas uma hipótese sem prova histórica contundente. Essa hipótese ignora que portugueses, galegos e bascos já eram pescadores desde muito cedo. A caça à baleia começa no Mar da Biscaia no final do século, 10 pelo menos. Que eles chegariam do outro lado do mar era algo que aconteceria com ou sem templários).

2. Sabe-se que a tradição maçônica remete aos templários como sendo a origem de alguns de seus títulos iniciáticos, graus, símbolos, doutrina.

Ora é evidente que tal tese – a de uma continuidade entre templários e esoterismo maçônico - ainda precisa ser devidamente comprovada mas ela é bastante plausível pelas seguintes razões:

- Uma das acusações de maior peso, no processo contra os Templários, sem dúvida, foi a das suas relações próximas com o Islão. Em 1229 Frederico II coroou-se rei de Jerusalém, após ter negociado com os muçulmanos sunitas do Egito a rendição e entrega da Cidade Santa. Nunca obteve o reconhecimento como rei de Jerusalém por parte dos Templários e nem tampouco do sultão do Egito; supõe-se que aqueles devem ter auxiliado secretamente a surpreender e a vencer no campo de batalha o autonomeado rei de Jerusalém. No processo movido contra os Templários o Papa Clemente V lembrou este episódio para fundamentar a sua condenação. 

- Durante o julgamento dos cavaleiros da Ordem em Paris, foi invocado contra eles o episódio daquele guerreiro cristão franco recém-chegado a Jerusalém que os Templários repreenderam por ter molestado um árabe durante a sua oração, episódio que fora narrado em primeira mão pelo próprio molestado, o príncipe Usama ibn Munqidh, embaixador do sultão de Damasco cerca de 1175, considerado um amigo do Templo:

“Quando estava em Jerusalém – escreveu Usama – costumava ir à mesquita Al-Aqsa, a Cúpula da Rochedo, ao lado da qual há um pequeno oratório que os francos converteram em igreja. Sempre que entrava nela, que estava em poder dos Templários que eram meus amigos, eles colocavam o pequeno oratório à minha disposição, para que eu pudesse rezar lá as minhas orações. Um dia, tinha entrado e dito o Allahu akkbar e preparava-me para me levantar quando um franco se atirou a mim pelas costas, levantou-me e virou-me para que eu ficasse voltado para oriente. ‘É assim que se reza!’, disse. Alguns Templários intervieram imediatamente, agarraram o homem e afastaram-no do meu caminho. Mas assim que o deixaram ele agarrou-me de novo, obrigou-me a virar para o oriente e repetiu que era assim que se rezava. De novo os Templários intervieram e levaram-no. Pediram-me desculpa e explicaram: ‘É um estrangeiro que só chegou hoje e nunca viu ninguém orar para qualquer outra direcção que não fosse para oriente’. ‘Terminei as minhas preces’, respondi e saí estupefacto com o fanático.”
- É fato provado que a Ordem do Templo sempre privilegiou mais o Xiismo, mais místico e aberto, que o Sunismo. Como diz Bernard Marillier, “uma coisa é certa: a Ordem dos Assacis desenvolve-se à medida das conquistas cristãs e da implementação das fortalezas templárias, o que não foi obra do acaso, mas devia corresponder a um movimento paralelo, de ordem material e sobretudo espiritual ou supra-espiritual tendo por objectivo a realização de um 'grande desejo'”(Bernard Marillier, Templários, pp. 43-48. Hugin Editores, Ltda., Novembro de 1998). De resto, é provável que o Templo tenha compreendido toda a vantagem que poderia tirar de uma aliança com os Assacis, primeiro contra os príncipes cristãos que se opunham ao seu poder no Oriente, donde o assassinato pelos Assacis do filho de Raimundo de Tripoli, hostil ao Templo, aliança comum contra o príncipe de Antioquia – pela qual os Templários foram censurados pelo Papa Gregório IX em 1236.  De resto o que se sabe e é incontestável, é que, mesmo que não tenham sido alterados os princípios fundamentais da teologia católica pelo Templo, ainda assim muita metafísica islâmica veio a influenciá-lo com conhecimentos e interpretações mais amplas e profundas. Também é fato que o Templo manteve relações estreitas com várias sociedades filosóficas e corporativas existentes nessas partes orientais: tanto colégios cristãos de Bizâncio ou independentes de foro anacorético, como corporações muçulmanas ou tarucs, florescidas do século IX em diante com o Movimento Karmate ou Ismaelita, do qual sairiam em 1090 os Assacis. Foi pela adaptação do modelo de uns e outros que os Templários do reino de Jerusalém constituíram comunidades de construtores - os chamados franco maçons (Chema Ferrer Cuñat, Los templarios y la secta de los Asessinos. In Codex Templi (Los misterios templarios a la luz de la Historia y de la Tradición). Santillana Ediciones Generales, S.L., Madrid, Abril 2006). 

3. Se os templários forjaram o Brasil e se eles deram origens a organizações iniciáticas/esotéricas – como alega a Maçonaria – nada mais natural que apresentar um maçom – José Bonifácio - como Pai do Brasil. O país nasce, aí, de um plano elaborado por uma organização semioculta; assim sua restauração só pode ser feita por pessoas ligadas a um novo pai fundador que remodele o país em cima desta mesma tradição primeva (No caso Olavo de Carvalho e sua "elite" intelectual).

4. Assim como os EUA foram fundados numa tradição democrática, o Brasil também foi – Caldeira não diz que somos uma democracia desde 1532? Se os EUA tinham por trás do seu recém criado organismo democrático, uma aristocracia iniciática, o Brasil, fundado pelos Cavaleiros da Ordem de Cristo – continuadora dos Templários – teria neles a referência a uma aristocracia esotérica como fundo da nossa formação, nos mesmos moldes da história americana. O uso da tese de Caldeira em relação com aquilo que Olavo sustenta no seu COF – formar uma “elite intelectual” a reboque dele – é um meio de legitimar um novo projeto para o país, com base numa pretensa tradição histórica: nossa salvação é sermos governados por uma nova aristocracia, de cunho intelectual, a partir da qual a democracia brasileira será uma espécie de quadro organizacional a proporcionar sua atuação discreta. 

5. Esta neo-aristocracia intelectual será responsável, pela determinação do âmbito dentro do qual os eventos históricos vão se desenrolar. Ela será formada pelo círculo de seus alunos. Ela vai moldar a cultura, a linguagem, a religião, o imaginário.

6. Cabe lembrar do papel que Olavo dá a maçonaria no processo de restauro do Ocidente: "De acordo com Guénon, a civilização do ocidente se não conseguisse reunificar maçonaria e cristianismo - pequenos e grandes mistérios - restaurando o corpo cindido da espiritualidade tradicional não teria alternativa senão cair na barbárie ou islamizar-se” (Jardim das Aflições, P. 262).

Recordamos que Olavo foi listado pelo Grande Oriente do RJ como ilustre maçom, aqui e que, nos idos de 1998/2000, foi afastado da Capela São Miguel do RJ, onde frequentava a missa tradicional celebrada por Dom Lourenço, em razão do mesmo ter ficado sabendo de sua recente iniciação na Romênia. Recorde-se também qual é o papel que Olavo atribui a maçonaria em termos de Brasil. 

7. A filiação maçônica de Olavo seria, em suma, o arco da abóboda. No fundo o Brasil Paralelo foi criado para pôr o país a reboque de um iniciado e de uma organização secreta, se valendo de falsos argumentos históricos para justificar tal empresa de forma sutil e sub-reptícia.

O site do projeto confessa que:
“NOSSOS PLANOS NÃO PARAM POR AQUI, ESTAMOS APENAS COMEÇANDO, E ESTAMOS LHE ENTREGANDO O NOSSO COMPROMETIMENTO EM CAUSAR O MAIOR IMPACTO CULTURAL QUE NOSSO PAÍS JÁ PRESENCIOU.”

E também que:
“TEMOS UM OBJETIVO BEM CLARO: TRANSFORMAR O IMAGINÁRIO POPULAR BRASILEIRO. PARA ISSO ACONTECER, CONTAMOS COM VOCÊ.”
Transformar o imaginário? Mas qual seria o intento desta transformação? Isso pode parecer despretensioso; se falassem de tomar o poder alguns poderia se alarmar mas trata-se “somente” de modelar o imaginário. Porém tal modelagem é o segredo do poder em termos gerais. Olavo mesmo nos explica isto em um trecho do Jardim das Aflições:
“a maçonaria não é um arquiteto invisível da história mundial, mas uma sociedade secreta que, pelo seu próprio modo de funcionar, molda o imaginário de seus membros e delimita seu campo de ação.”
É a partir dai que podemos explicar a articulação entre o recente lançamento da série sobre Bonifácio, do filme sobre o Jardim das Aflições e, agora, do Brasil Paralelo. 

Quem tiver olhos que veja.

Voltaremos ao assunto.


#Rafael Queiroz
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A confusão ideológica pós-moderna têm levado muitos homens por uma jornada em busca de uma maior valorização do passado; a “tradição” seria o caminho orientador dos povos, o remédio contra o veneno cosmopolita. Vejo com bons olhos todo este movimento, porém não raro junto as rosas costumam crescer as ervas daninhas que podem vir a sufocá-las, de modo análogo junto a este saudável resgate do passado, tem crescido tantas vezes a pregação de um isolacionismo demente sob máscaras de nacionalismo, um romantismo estático sob desculpa de tradição. E disso se aproveitam os filhos da serpente, para destilar seu veneno odioso contra a Santa Igreja; tive a infelicidade de ler um desses textos venenosos em que o autor taxava a Igreja com o rótulo de “multinacional estrangeira” e numa revolta fascista, resmungava por ela minar o poder do Estado rsrs, responderei pois essas vãs acusações ao longo do texto, antes porém cabe alguns conceitos básicos.

Como bem explica Perillo Gomes:

Os princípios de expansão e de assimilação, po­tencia de ação e potencia de unidade, em linguagem philosophica, é que explicam, de um ponto de vista meramente natural, a vida internacional. As nações, quanto mais cultas, mais se apercebem de que são unidades incompletas. E buscam, então, em outras, aquillo que sentem que lhes falta - eis o principio de expansão. Mas o que ellas vão buscar além das suas fronteiras, ellas não podem nem querem acolher como corpo estranho. E então se empenham num trabalho de assemelhação, de harmonisação, para manter o indispensavel caracter de unidade - eis o principio de assimilação.

Se, no entanto, uma intelligencia superior não preside o desenvolvimento dessas duas forças instinctivas da collectividade, teremos, como consequencia, a perturbação, o conflicto, o predomínio de uma sobre a outra ou o seu exercício desviado das verdadeiras finalidades. E o principio de expansão se transforma em principio de conquista, e o de assimilação em principio de domínio. Eis a gênese do imperialismo. [1]

Em resumo: nenhum país é perfeito, nenhuma cultura basta a si mesma, aqueles que se isolam definham. É o natural desejo de expansão que leva a buscar o contato com outras culturas, e através desse contato por uma saudável assimilação, se absorve aquilo que convém, de modo harmônico, em consonância com a cultura e tradições primevas. A Santa Igreja sempre compreendeu e respeitou esta dinâmica orgânica das sociedades, o termo "inculturação do Evangelho”, reflete essa consciência. Cito o exemplo do Apóstolo do Brasil: São José de Anchieta não queria transformar os índios em uma cópia dos portugueses, mas trazer-lhes os elementos civilizatórios e salvíficos para que eles pudessem desenvolver a própria identidade e o próprio caminho segundo a Fé Verdadeira, diferente do maçom Marquês Pombal que queria uma padronização industrial; este bode infeliz aboliu e sepultou a língua geral (cultivada e sistematizada por Anchieta), sumiu com os jesuítas do continente, e promoveu uma matança geral. Aí temos o contraste entre a ação orgânica, civilizatória e evangelizadora da Igreja e o imperialismo liberal cosmopolita.

É preciso compreender este aparente paradoxo, se por um lado se respeita a organicidade natural das culturas, por outro é dever de caridade tirá-los do erro, das trevas das heresias e do paganismo, levando a extinção dos seus ídolos e o combate ao pecado. Se todos os povos e tradições devem pois estar sujeitas a lei Divina e a sã doutrina, cada um têm a liberdade de, irmanados pela mesma Fé, manifestar seus dons e peculiaridades individuais, pois, como nos ensina o Pentecostes, só na Igreja Santa, vivificada pelo Divino Espírito que encontramos o saudável equilibro da diversidade na unidade.

Sobre a acusação da Igreja minar o poder do Estado, é dever dela para o bem dos indivíduos, impedir uma estatolatria pagã que faz do Estado um ídolo:

Quem pega da raça, ou do povo, ou do Estado, ou da forma de Estado, ou dos senhores do poder, ou de qualquer outro valor essencial à comunidade humana - coisas que na cidade terrestre ocupam lugar honroso e justo - para se deslocar da sua devida escala de valores e elevá-los ao pedestal onde os diviniza e lhes presta culto idólatra, - perverte e falsifica a ordem das coisas criadas e estabelecidas por Deus, está longe da verdadeira fé em Deus e da concepção de vida correspondente a essa fé. [2] 

Concluindo: não seja um vira-lata americanoide a desprezar as tradições nacionais na ânsia de querer transformar esta terra em uma cópia barata da potência cultural da moda. De igual modo, lembre-se que todas as tradições humanas estão sujeitas ao juízo do Evangelho, afim de que aquilo que contribua para a maior glória de Deus seja cultivado e conservado e aquilo que contraria leis divinas seja cortado e jogado ao fogo.

#Edmundo Noir
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[1]GOMES, Perillo. O Liberalismo; 1933.
[2] Pio XI. Mit Brennender Sorge, §12.
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Caros, quem frequentou a esfera Olavista sabe que Olavo tem uma teoria sobre os três globalismos. A tese é apontada, pelos discípulos e pelo mestre, como o supra sumo da teoria politica, um rasgo de genialidade do mestre paulista.

Mas será que é mesmo? Nosso objetivo é levantar os problemas sobre a "teoria" dos três globalismos.

Pois vejamos: segundo Olavo existem três poderes globais competindo pelo controle mundial atualmente, quais sejam:

1- O globalismo ocidental: segundo o mesmo ele está ligado as megampresas capitalistas ocidentais e a uma elite política-econômica ocidentalista fabianista que teria, no fundo, o objetivo de dirigir o mundo para um metacapitalismo, ou seja, um capitalismo monopolista sustentado por uma "política socialista" de controle quase total do mercado global em favor dessas mega empresas( no fundo esse processo, segundo Olavo, daria num socialismo).

2- O bloco sino-russo. O governo de Moscou e de Pequim estariam associados para impor um modelo de socialismo ligado a suas elites militares-burocráticas.

3- O Islamismo que, com a sua guerra santa, desejaria provocar o reaparecimento do califado impondo-o mundialmente.

Começamos daqui nossa análise.

É sabido que ao falarmos de poder global estamos nos referindo aquilo que tem condições efetivas de impor políticas a nível mundial; logo a premissa básica de que partirmos é que não pode existir poder global sem que ele seja capaz de influir de modo amplo em todos os setores da sociedade e em todas as partes do planeta. Isso parece-nos básico: um poder global só é mundial se tiver a capacidade de exercer impactos gerais, o que significa que não podem ser apenas regionais, continentais, etc; eles devem ser mundiais.

A pergunta que nos fazemos então é: os três projetos apresentados acima têm efetivo poder mundial? Os três são projetos de poder global competindo entre si? Os três provocam impactos mundiais na mesma escala e do mesmo porte, de modo a podermos dizer que os três estão, cada um a seu modo, produzindo acontecimentos mundiais que favorecem o crescimento do seu plano de dominação?

O primeiro poder global está ligado aquilo que Rotkopf nomeia como "superclasse", ou seja um grupo de pessoas que já não estão mais ligadas a interesses nacionais - pois seus negócios são transnacionais - uma super elite, diferente de todas as elites já existentes mas que, embora transnacional, ainda depende das estruturas nacionais e dos blocos como os EUA e UE enquanto o governo mundial não está devidamente forjado. Essa super elite participa de fóruns, grupos, sociedades secretas, etc, onde organizam:

A - Temas considerados de caráter global; fóruns como Davos, grupos como Bilderberg, são espaços preferenciais para o "debate" desses temas globais depois transformados pela mídia de massa em pautas do dia.

B- Soluções para os problemas globais.

C- Propostas para financiar as soluções.


Embora a super elite encontre dificuldades aqui e ali para implementar a sua visão global e a idéia de que necessitamos de órgãos internacionais para cuidar dos problemas globais, ela tem tido, via de regra, muito sucesso nesse sentido. Recomendo a leitura da obra de Rothkopf, "Superclasse", publicada aqui no Brasil pela Agir, para que o leitor entenda com mais precisão o tema.

O segundo poder global ( Rússia e o governo comunista de Pequim) segundo Olavo estaria consagrado a implantar o comunismo mundial. Aí cabe destacar o relevo que ele dá a Rússia. Para Olavo a Rússia é a grande força desse bloco, Pequim seria um coadjuvante. A Rússia de Putin seria a URSS reencarnada sob nova forma: uma forma eurasiana.

Mas que é eurasianismo? A doutrina eurasiana é bem anterior a Rússia de Putin ou mesmo a Dugin. Ela nasceu nos albores do século 20 e tem relação com pan-eslavismo que era uma ideologia expansionista russa adotada nas ações de Nicolau II, último czar russo. Ademais até mesmo nazistas possuíam uma versão de eurasianismo - o que explica por exemplo o objetivo nazista de conquistar o leste europeu e a Rússia, durante a 2 guerra mundial. Ou seja a trajetória do eurasianismo como doutrina é complexa e repleta de influências. Olavo porem não tem nada que seja parecido com uma teoria que problematize o assunto e que dê ao mesmo um trato científico. Eurasianismo no jargão olavista é palavra de ordem e significa "comunismo" puro e simples.

Então existem vários erros que circulam dentro da Olavosfera sobre o tema; listo aqui alguns:


1- Ignorar que o eurasianismo russo nasceu de uma reação a duas coisas: a modernização russa do fim do século 19 e início do 20 e a revolução de outrubro de 1917; em suma os eurasianos russos do tempo da revolução de outubro repudiaram o leninismo como avesso a natureza da Rússia; embora saudassem a revolução, pois fazia cair um regime que se abriu as influências ocidentalizantes, consideravam que a mesma não trazia a saída mais correta para a construção da pátria;

2- A idéia de identidade russa com base no eurasianismo está mais associada a noção de criação de uma cultura avessa a Europa moderna do que ao comunismo em si mesmo: ademais como conciliar o repúdio a atual Europa social democrata - logo aplicadora de diversos elementos do comunismo no plano social - com adesão ao comunismo bolchevique puro e simples? Quem souber como, por favor explique.


3- Existem correntes políticas na Turquia que se aproximaram da tese eurasiana não por que querem comunismo mas por que querem constituir uma identidade nacional não européia.


4- Eurasianismo deve ser entendido mais à luz da geopolítica que da lógica da guerra fria, mais do conceito de confronto de civilizações que do conceito de conflito entre blocos econômicos.

Em uma: os erros analíticos aqui apontados são os mesmos que os seus alunos repetem como macacos amestrados.


Fica claro, então, que o uso do termo "eurasianismo" nos círculos olavistas não segue um rigor crítico mas apenas a necessidade ideológica do momento: dizer que tudo que se relaciona a Rússia pós 1991 é comunismo.


Que o atual governo russo seja enamorado do eurasianismo não resta dúvida. O que não significa necessariamente que a Rússia esteja buscando um modelo comunista. No mínimo, qualquer afirmação nesse campo exige tempo e maturação para uma análise mais atenta e objetiva. Eu não me aventuraria a dizer isso. Que Olavo o faça - já que não é um cientista político tampouco um filósofo mas tão só um prestidigitador - não nos deixa admirados.

Mas passemos para a questão: é a Rússia, atualmente, um poder global???

Essa afirmação não é possível. Desde 1991 que a Rússia vive num estado de crise; o país tem um arsenal militar antigo, armas do tempo da guerra fria, etc. Alguma modernização foi feita por Putin mas nada que a coloque no mesmo patamar dos últimos avanços técnicos que deram as potências ocidentais da Otan o domínio, por exemplo, dos drones. A Rússia tem um vasto arsenal nuclear mas sabemos que o uso do mesmo inviabilizaria a continuidade da vida na terra; não é preciso insistir na evidência de que a Rússia não teria objetivo de dominar um mundo de esqueletos e cadáveres. Aliás nenhuma potência teria.

No plano da tecnologia da informação - básica atualmente para dominar por meios não aversivos - a Rússia está muito atrás dos americanos e europeus que estão na dianteira da revolução mundial da informática.

No plano interno a Rússia tem problemas graves na Chechênia e no Daguestão.

No plano externo a Rússia vive sob o temor de sanções da ONU. Ultimamente vem sofrendo pressões por causa da Criméia.

No máximo o poder da Rússia agora é apenas regional. Geopoliticamente a Rússia não está em condições de ser comparada com as potências ocidentais nem com os EUA que possuem exércitos e bases militares em vários continentes, porta aviões estacionados em todos os oceanos, etc.

Apresentar a Rússia como "poder global" é mais uma peça de propaganda do sr. Olavo: os fatos não sustentam a alegação. Mas, como todo farsante, Olavo sempre tem uma carta na manga para acusar a Rússia e deixar, por exemplo, de falar da participação de judeus no globalismo ocidental e do papel decisivo da cultura e tradição política americana no mesmo. Para Olavo o poder global russo se explica pela FSB, a antiga KGB, que teria 500 mil agentes pelo mundo a estender, sobretudo no ocidente, a corrupção moral que irá preparar o terreno para o império comunista de Putin. O problema é saber como a FSB tem dinheiro suficiente para sustentar tantos agentes e tantas ações; a Rússia atualmente vive com problemas inflacionários graves mas, segundo Olavo, toda esse financiamento para as ações secretas da FSB viriam da máfia russa;

Quanto a isso é preciso dizer que:

1- Dizer que a máfia russa, a jogatina e o mercado negro de vodka, etc, sustentam as ações da FSB no mundo - ações que segundo o Olavo são imensas, quase infinitas até - é algo que está ligado a comédia e não a algo que se aproxime de jornalismo sério. A não ser que levemos em conta a hipótese – tresloucada, diga-se de passagem - de que a Rússia controla o tráfico internacional de drogas, a jogatina mundial e a prostituição no globo terrestre inteiro, etc. Ainda assim seria preciso explicar como este dinheiro sujo é lavado e, depois, repassado aos órgãos de inteligência russa para financiar a degradação moral generalizada no ocidente, ou como ele simplesmente não é lavado - o que tornaria a hipótese ainda mais rocambolesca dado que dinheiro de prostituição e jogatina seria obtido em diversos países de forma ilegal e teria como destino ações russas sem que nenhum país ou governo conseguisse parar esse dinheiro sujo.

2- É até admissível que uma coisa aqui e outra ali seja fruto de ações da antiga URSS, e quem sabe da Rússia atual. Mas dar a Rússia atual esse poder amplo não faz sentido algum. O sr. Olavo finge não saber que quem tem o poder efetivo de moldar a política global e conduzi-la para onde quer não é a Rússia mas as nações ligadas a NOM, ou seja EUA e países da UE. Esses países sim tem amplos fundos de investimento a seu dispor, bancos internacionais, agências empresariais globais capazes de financiar feminismo, causa LGBT, aborto, etc; basta fazer uma pesquisa e ver quem são os maiores financiadores disso tudo.

3- A década de 90 viu nascer, sob os auspícios dos EUA, a utopia de um mundo global sob a liderança de uma elite global. Só essa elite global tem organização suficiente para ser atualmente uma ameaça. Apresentar a Rússia - por mais que se considere preocupante o projeto imperial da mesma - como grande problema nada mais é que desinformação e distração.

E a pergunta que não quer calar é: e Pequim? Por que o tempo dedicado pelo sr. Olavo ao governo de Pequim é tão pequenino??? A Rússia não é mais governada pelo PCURSS mas Pequim ainda o é pelo PCC de Mao. No entanto, a Rússia é apresentada como grande vilã enquanto da China pouco ou nada se fala. Talvez esse certo silêncio se explique pelo fato de que Pequim viva a fazer negócios vultosos com Washington e pelo fato de que Olavo seja um rádio repetidor da opinião do partido republicano e dos interesses dos EUA no Brasil.

Para compreender tudo isso é necessário devassar a forma mentis olavista, que não difere muito da comunista. Comunistas enxergam fascistas em todo lugar. Olavistas enxergam comunistas em todo lugar. As ideologias costumam fracionar a realidade. Umas explicam tudo pelo econômico, ignorando o cultural, político, etc. Outras explicam tudo pelo biológico, ignorando o psíquico, o espiritual, etc. A ideologia de Olavo explica tudo pelo comunismo. Assim, se um partido de orientação socialista usa o capitalismo como política econômica capitalista, nunca é possível que o mesmo possa ter mudado - mesmo que apenas acidentalmente ; ele visa, necessariamente, o comunismo; se um capitalista financia governos socialistas, necessariamente ele quer socialismo, nunca pode estar visando pura e simplesmente o lucro. Um comunista pode usar o capitalismo para promover o comunismo.- Aliás não é isso que ele alega sobre os metacapitalistas quando diz que os mesmos já não visam o livre mercado mas sim o socialismo? - Porém, se uma empresa capitalista se associa a um governo socialista ela não pode, jamais, fazer isso por razões capitalistas, por lucro, etc. Não: ela tem que estar visando o comunismo. A insanidade fica ainda mais clara quando se compreende a maneira como os discípulos de Olavo entendem o Foro de São Paulo: acreditam que o mesmo tem plena liberdade de ação como se pudessem ignorar o poder do capital internacional. Não é com a estrutura de poder na América Latina que os países do Foro se sustentam; a Venezuela se sustém, por exemplo, com a venda de seu petróleo para o mercado global - sobretudo para os EUA. O pólo do poder não está aqui : no máximo o que o Foro consegue fazer é uma ação aqui e acolá independente mas, no geral, os governos ligados ao Foro dependem do mercado global, da ONU, dos membros da superclasse e do dólar americano.

Em suma: a tese olavista é de que seja com o globalismo ocidental, seja com o bloco sino-russo, seja com o Islã (Quem assistiu as aulas de Olavo no COF sabe que ele qualifica o Islã também como comunismo!!!!) estaríamos rumando, necessariamente ao comunismo. Mais uma vez o adágio “tudo é comunismo” aparece como lugar comum básico da malta olavete.

E o capitalismo onde fica nisso se é que ele ainda existe? Ele não fica: para o Olavo não existe mais capitalismo; até mesmo o mais feroz capitalista, quando age em prol do lucro está visando o comunismo. Não custa lembrar que, segundo Olavo, todo capitalista que vai para Xangai produzir mais barato está, no fundo, encantado com o comunismo. É assim que ele, explica, por exemplo os financiamentos que grande banqueiros e empresários deram, ao longo do século 20, aos países socialistas ou a movimentos socialistas: no fundo eles desejariam estimular o socialismo pois o mesmo traria um mundo de controle do mercado onde só as grandes empresas teriam lugar( pode parecer inusitado mas é isso mesmo que ele diz: até onde sabemos o socialismo visa, nada mais que acabar com o regime de empresa privada; cabe perguntar ao Olavo como nesse mundo futuro visualizado pelos megabanqueiros e empresários seria possível ir para o socialismo e ao mesmo tempo manter, indefinidamente, o setor privado de pé sem as naturais estatizações e coletivizações gerais almejadas pelos socialistas).

Racionalizar essa alegação é impossível dada sua incompreensibilidade. Mas, na lógica de Olavo ela é perfeitamente factível. Entretanto a lógica segue outras vias: a da não contradição. Olavo, contudo, não costuma dar muito valor a lógica: o que agora é depois pode não ser mais. Foi assim por exemplo com o seu repudio ao PSDB em 2006 e seu apoio em 2014(Como relatado aqui).

Para que o leitor entenda onde queremos ir: Eles - estes empresários capitalistas que vão a Xangai fazer negócios e que apoiam movimentos socialistas - não adoram o socialismo: só estão lá para arrumar grana. O projeto de monopolização do mercado é o projeto deles? Sim mas articulado a NOM (aquilo que Olavo considera o globalismo ocidental) que é no fundo, um projeto das elites capitalistas, bafejadas pela ideologia do politicamente correto. Usam o socialismo para implementarem nele as reformas liberais de que tanto precisam. Não é o pólo político dos países socialistas que estão no controle do processo global, mas sim o empresariado, a superclasse global e, em suma, EUA e Europa, bases dessa super classe. E aqui estamos no terreno central do erro do Olavo e seus alunos: não são os empresários que são fãs do socialismo é o socialismo que precisa se capitalizar. Então quem está na mão de quem? Então, estamos rumando para onde? Para o socialismo? Pense e responda você mesmo caro leitor.

#Rafael Queiroz
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Recentemente a pesquisa da CNT revelou um cenário imprevisível, liderando as pesquisas presidenciais para 2018, um ícone da esquerda histórica e de outro da direita histórica. De um lado Lula, do outro Jair Bolsonaro. 

Muitos se perguntam como é possível que Lula ainda esteja em primeiro lugar nas pesquisas e, simultaneamente, esteja abaixo Jair Bolsonaro? Muito se enfatiza que Lula seja popular entre os mais pobres e Bolsonaro entre os mais ricos. 

Porém, o que poucos falam é que mesmo entre os mais pobres Bolsonaro ainda tem grande apoio, mesmo quando comparado a outros candidatos como Aécio Neves e Marina Silva, opositores recentes tradicionais do PT.

Como pode o mesmo povo que pede justiça aos “mensaleiros e quadrilheiros do petrolão” ser o mesmo povo que quer eleger o chefe de quadrilha? Como pode ser o povo que vota no símbolo aglutinador da esquerda brasileira desde o fim do regime militar, ser o mesmo povo que dá o segundo lugar a um representante do regime militar e logo da velha direita nacional-positivista?

A bifurcação esquerda (social-democracia) e direita (liberal-conservadorismo) típica dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Europa germânico-saxônica não dá conta de nosso espectro. Isso se dá por uma razão muito fácil para se compreender, especialmente quando se entende a psique do brasileiro e sua história. 

Para o Minuto Produtivo, escrevi eu três artigos intitulados “Por que o brasileiro é antiliberal”, Parte 2 e Parte 3 e argumentei ao meu ver, de modo bem fundamentado, que não se trata de nenhuma “mentalidade anticapitalista” em sentido misesiano e randiano, baseado na mais pura e vil inveja. 

Também disse que não se trata de socialismo ou fascismo, mas sim com nossa natureza católica, indígena e romântica, que são as três fontes de nosso inconsciente coletivo. E, sustentei ainda, polemicamente, que não achava isso ruim, pois se eu era um conservador brasileiro, devo ser conservador disso que é o Brasil.

Historicamente, mesmo no Império, nossa direita sempre teve uma tendência centralista e estatal; o Partido Conservador, mais do que partido dos grandes latifúndios, era o partido da burocracia estatal. O liberal, por sua vez, era o partido das camadas médias ascendentes e da burguesia urbana, bem como alguns latifundiários. O Partido Conservador foi até a ascensão do Barão do Rio Branco, notadamente um partido protecionista, tanto que o liberal Alves Branco foi forçado por uma pressão conjunta de alguns setores dos “luzias” e pela quase unanimidade dos “saquaremas” a taxar importações inglesas.

Os setores militares, historicamente adeptos do que chamei de “nacional-positivismo” assim como Comte, viam no Estado o centro da sociedade e tinha na ideia da tecnocracia sua teoria política. Em que pese a primeira república ser liberal e federalista, gradativamente, pela sua instabilidade, ela foi tornando-se mais e mais centralista, até que por fim, sua insustentabilidade propiciou aquilo que Oliveira Vianna chamou de “golpe de esquerda tocado pela direita”, que foi o Estado Novo. Ora, ideologicamente, Getúlio não era tão distinto dos militares.

O conservadorismo brasileiro sempre foi reflexo de seu povo, centralista, confiante mais no benfeitor “coroné”, nas grandes famílias, do que no seu próximo. Isso deriva também de nossa condição de camponeses sem terras e de uma organização social que era muito similar a do antigo feudalismo, só que sem as terras comunais. 

Sendo assim, nosso conservadorismo naturalmente tendeu a confiança preferencial no Leviatã juntamente com o desenvolvimento do Estado moderno. O Estado, como sendo o responsável por controlar os abusos das oligarquias locais, cria em si a figura central de unidade, e que é a base do nosso conservadorismo.

Agora o que isso tem a ver com Lula? Além do estatismo que marca a esquerda, há na mentalidade católica e romântica, a noção de que o Estado é responsável pelo bem comum, assim sendo, o Estado deve, ao lado da própria população mais abastada, o dever da caridade. 

Os artigos 164, 166 e 168 do "Compêndio de Doutrina Social da Igreja" delimitam que é dever também do Estado agir no combate à pobreza. Respectivamente eles defendem a existência de bens públicos (164), serviços públicos voltados ao bem-estar social (166), e os mesmos sendo também dever do estado (168).

Desta forma, o brasileiro vê no moralismo populista e nacionalista de Getúlio Vargas uma restauração do velho paternalismo monárquico, como um novo Dom João VI, cuja chegada inaugura uma era de prosperidade. 

Assim, o conservadorismo brasileiro encontra sem querer uma visão similar a pregada pelo conservador alemão Lorenz von Stein, um “absolutismo sindical”. 

A UDN sempre teve uma votação abaixo do esperado, justamente por refletir um conservadorismo de tipo americano, a UDN era mais luzia que saquarema, ao passo que o PSD, braço direito do Estado Novo, representando a burocracia estatal e a oligarquia rural, representava o velho saquaremismo, e só se unia com a UDN quando havia o medo do comunismo das alas mais radicais do PTB, do PSB e do então extinto PCB. 

Juscelino Kubitschek, por exemplo, dizia-se abertamente um conservador, embora não despertasse paixões na UDN que àquela época defendia radicalmente o liberalismo econômico de Hayek antes de ser modinha.

Bolsonaro e Lula representam a junção destes dois ideais; de um lado o clamor por moralidade e a segurança do paternalismo, traço que une a esquerda e o conservadorismo brasileiro histórico, e do outro o assistencialismo e o trabalhismo que a esquerda advoga, e que o pobre povo brasileiro aprecia. 

Costumo dizer que o liberal-conservadorismo que grassa por aqui hoje em dia conserva um país inexistente ou tem um ideal de conservadorismo que está preso às regiões metropolitanas, mas que muito dificilmente vai ganhar votos nas cidades do interior. Não é possível conservar uma sociedade liberal e moderna num país cuja mentalidade popular ainda é a do Ancién Régime. Em outras palavras, é um conservadorismo fictício ou, melhor dizendo, uma inovação.

Pode ser dito no máximo um conservadorismo da Avenida Paulista, mas não de São João dos Marrecos, Serra da Saudade, Pau das Antas ou de Quiproquó do Vale. 

Este último conservadorismo, interiorano e “caipira”, pode ser chamado sem medo de conservadorismo brasileiro, ou anedoticamente, para desespero de nossos liberais-conservadores de conservadorismo trabalhista.

#Arthur Rizzi
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O homem, embora não seja um mero produto do meio em que se encontra inserido, muito deve, em sua maneira de ser individual e concreta, ao momento histórico no qual vive, ao ambiente em que nasce, cresce e é educado e também ao atavismo, elo que o liga até aos mais remotos ancestrais.[1] Assim, podemos dizer que o homem é um ser não apenas político e social, mas também histórico e tradicional, sendo cada ente humano, com efeito, uma “tradição acumulada”, conforme bem salientou Vázquez de Mella.[2]

Pilar e seiva da Pátria e da Nação, a Tradição é a transmissão, a entrega constante de um patrimônio de valores espirituais, culturais e religiosos essenciais a uma comunidade de uma geração a outra, ou, no dizer de Marcello Veneziani, “de pai para filho”.[3]

A palavra Tradição deriva do vocábulo latino traditio, que, por seu turno, deriva de tradere, termo que possui o significado de entregar ou de dar e, por sua vez, procede da raiz indo-europeia do, que podemos traduzir como dar. Como escreveu Ricardo Dip, ao primitivo do indo-europeu se antepôs a preposição latina trans, que significa além, ir além ou de um lado a outro e que, a um tempo, se pronunciava tras, o que permitiu a redução para tra, como aparece em palavras como tradere e traditio.[4] A este último termo latino corresponde o vocábulo grego παράδοσις (parádosis), que igualmente possui o significado de “transmissão”.[5]

Tanto pela preposição latina trans quanto pelo termo indo europeu do, significa o termo traditio “algo que transita de alguém, ou de algo, para além; alguma coisa que se dá ou se entrega de um lado a outro”. Este essencial dinamismo do significado da palavra traditio é, em verdade, muitíssimo relevante, consoante ponderou Dip, para acentuar o absurdo erro no entendimento que reserva ao vocábulo “tradição” a nota, incondicional, de estaticidade, de oposição ao progresso ou de conservação total.

Assim, a Tradição, que se elabora incessantemente, vem a ser, como há pouco assinalamos, a entrega constante, ao longo das gerações, de um patrimônio de cultura e de valores substanciais de uma Sociedade, mantidos na sua essência, corrigidos sempre que necessário e incessantemente aprimorados,[6] representando, nas palavras de António Sardinha, a “continuidade no desenvolvimento” e a “permanência na renovação”.[7] Alhures definida por nós, em paráfrase a José de Alencar, como a “arca veneranda da sabedoria de nossos maiores, consolidada pelos séculos e apurada pelas gerações”,[8] a Tradição não é todo o Passado, mas tão somente aquela porção do Passado que, na expressão de Víctor Pradera, “qualifica suficientemente os fundamentos doutrinais da vida humana de relação”, isto é, “o passado que sobrevive e tem virtude para fazer-se futuro”,[9] ou, no dizer de Plínio Salgado, o “Passado Vivo”,[10] ou, ainda, nas palavras de Ribeiro Couto, num de seus mais belos sonetos, o “Passado que é presente e que é futuro”.[11] Neste sentido, assim distinguiu Hélio Rocha a Tradição do Passado:

Tradição não é simplesmente o passado.
O passado é o marco. A Tradição é a continuidade.
O passado é o acontecimento que fica. A Tradição é o fermento que prossegue.
O passado é a paisagem que passa. A Tradição é a corrente que continua.
O passado é a mera estratificação dos fatos históricos já realizados.
A Tradição é a dinamização das condições propulsoras de novos fatos.
O passado é estéril, intransmissível. A Tradição é essencialmente fecundadora e energética.
O passado é a flor e o fruto que findaram. A tradição é a semente que perpetua.
O passado é o começo, as raízes. A Tradição é a seiva circulante, o prosseguimento.
O passado explica o ponto de partida de uma comunidade histórica.
A tradição condiciona o seu ponto de chegada.[12]
O passado é a fotografia dos acontecimentos. A tradição é a sua cinematografia.
Enfim: Tradição é tudo aquilo que do passado não morreu.[13]
Destarte, a Tradição é, como prelecionou Francisco Elías de Tejada y Spínola, “a entrega daquilo que possui forças vitais suficientes para influir em nossos atual acontecer”,[14] ou, no dizer de José Pedro Galvão de Sousa, “o passado que não passa, por encerrar uma força vivificadora que se projeta para o futuro”,[15] não se confundindo, pois, com o passadismo, o imobilismo e o conservantismo estático. Compreendendo o termo “saudosismo” como sinônimo de passadismo, assim o distinguiu Gustavo Barroso da Tradição:

Tradição é uma coisa; saudosismo, outra. A tradição vivifica; o saudosismo mata. A tradição é um olhar que se deita para trás, a fim de buscar inspiração no que os nossos maiores fizeram de grande e imitá-los ou superá-los. O saudosismo é o olhar condenado da mulher de Lot, que transforma em estátua de sal. A tradição é um impulso que vem do fundo das idades mortas dado pelas grandes ações dos que permanecem vivos no nosso culto patriótico. O saudosismo é um perfume de flores fanadas que envenena e enerva. A tradição educa. O saudosismo esteriliza.
Amar as tradições da terra, da raça, dos heróis é buscar nos exemplos do passado a fé construtiva do futuro. Mergulhar dentro delas para carpir a pequenez do presente diante de sua grandeza é confessar a própria impotência e a própria incapacidade.

Da tradição nos vêm gritos de incitamento. Do saudosismo nos vêm lamentos e jeremiadas. Uma nação se constrói com aqueles gritos e se perde com essas lamentações.[16]

Deste modo, como salientamos algures,[17] o verdadeiro tradicionalista, ao contrário do passadista, aceita do Ontem apenas as forças capazes de influir sobre o Hoje e, em larga medida, sobre o Amanhã, defendendo, pois, a necessidade de um retorno não ao Passado enquanto tal, mas aos valores eternos que floresceram nos melhores tempos do Passado, que nos deve interessar como “base e matriz do Porvir”, como escreveu Gustave Thibon,[18] assim como aos valores do Pretérito que, embora não eternos, são duradouros e permanecem vivos no Presente. Do mesmo modo, o tradicionalista autêntico, ao contrário do conservantista estático, rejeita os elementos contrários à Tradição e as tradições espúrias presentes nos tempos que correm, não se agarrando, pois, nem ao Passado nem ao Presente como a uma tábua de salvação, e sendo, em verdade, o único verdadeiro senhor do Porvir. E se o homem moderno é, segundo Chesterton, "um viandante que se perdeu na estrada" e que "tem de regressar ao ponto de partida, se quiser se lembrar de onde veio e para onde vai",[19] o tradicionalista, consciente de onde veio e para onde vai, tem a honra de ser, nos tenebrosos tempos presentes, um homem contra a corrente, ou, por outras palavras, um extemporâneo, um inatual no sentido de não se enquadrar na mentalidade ora vigente, sendo, no entanto, atual no sentido de portar ideias sempre novas em razão de sua perenidade. Isto porque a Tradição, por mais antiga que seja, é sempre nova, ou, na expressão de Chesterton, “sempre moderna”, sendo uma tradição, conforme ressaltou o autor de Ortodoxia, uma coisa viva e não morta e que é mantida porque é boa e não porque é antiga, sendo, ademais, sempre sentida como algo recente e não remoto.[20]

Tratando do pensamento de Charles Péguy, Daniel Rops escreveu que havia no patriotismo do escritor, poeta e ensaísta a noção da continuidade histórica, que o tornou infinitamente mais tradicionalista do que a maioria daqueles que se vangloriam de tal título, salientando que “o tradicionalismo de Péguy não contempla com desespero um passado morto; propõe ao homem razões de caminhar para a frente”.[21] Em nosso sentir, todo tradicionalismo verdadeiramente digno de tal nome possui a noção da continuidade histórica e não é um pranto nostálgico ou de desespero sobre as ruínas, os escombros de um Passado perdido para sempre, mas uma doutrina sólida e viva, capaz de dar ao homem razões para seguir em frente em sua caminhada histórica.

Isto posto, faz-se mister salientar que julgamos que todo legítimo tradicionalista possa afirmar, como Gustave Thibon, que quando lamenta o rompimento de uma tradição é sobretudo no Futuro que pensa, assim como quando vê secar a raiz de uma planta sente pena das flores que, por falta de seiva, não desabrocharão amanhã.[22] 

Vista por alguns como figadal inimiga do progresso, é a Tradição, ao contrário, a base, o alicerce de todo progresso autêntico e estável, havendo sido denominada, com efeito, “progresso hereditário” por Vázquez de Mella.[23] Nesta mesma linha de raciocínio, escreveu Michele Federico Sciacca que “não há progresso verdadeiro ou construtivo sem tradição”, do mesmo modo que “não há tradição viva e operante sem progresso”,[24] e Plínio Salgado, em estudo sobre a obra de Francisco Elías de Tejada, sublinhou que “Tradição e Progresso estão de tal sorte unidos, que este não pode existir sem aquela nem aquela sem este”.[25] No mesmo diapasão, em ensaio sobre o Quarto Centenário da cidade de São Paulo, o mesmo Plínio Salgado, pouco depois de haver ressaltado que “a tradição do povo bandeirante vai buscar raízes na capacidade de expansão lusíada e no caráter cristão dos nossos primeiros aglomerados humanos”, escreveu que se pode dizer que a palavra “tradição” é sinônimo de “progresso”. Isto porque, como observou o escritor e pensador patrício, “se, etimologicamente, ‘tradição’ significa transmitir do passado para o futuro, também ‘progresso’, sendo, ao contrário de ‘regresso’, a propulsão para a frente”, pressupõe, logicamente, “uma posição anterior determinando uma posição posterior, o que, em última análise, é movimento do passado para o futuro”.[26] 

Assim, a Tradição é o alicerce de todo Progresso digno deste nome, da mesma forma que o respeito ao Passado é a base sobre a qual se assenta todo Futuro grande e sólido, ou, nas palavras de Arlindo Veiga dos Santos, “o pretenso progresso que renega a tradição é eterno recomeço, perpétua imperfeição”,[27] do mesmo modo que “o Presente que nega o Passado não terá Futuro”.[28]

Fio ou cadeia que nos liga aos nossos antepassados e aos nossos descendentes e patrimônio que herdamos de nossos pais e devemos transmitir, aprimorado e engradecido, a nossos filhos nascidos ou por nascer,[29] deve ser a Tradição, pois, compreendida não como uma relíquia de museu ou um ser fossilizado, mas sim como uma força viva, dinâmica e atuante, em permanente e contínuo movimento, que não se constitui na antítese do Progresso, mas em seu pressuposto. “Fonte de permanente renovação”, na frase de Alfredo Buzaid, a Tradição nos subministra, conforme enfatizou este, “o passado vivo, com os seus exemplos, as suas aspirações, o seu legado de saber e de experiências”.[30]

Realidade viva e dinâmica, a Tradição tem importância central na estruturação das instituições políticas de uma nação, e define a identidade, o caráter desta, assim como a sua missão histórica, conforme assinalou Heraldo Barbuy.[31] Neste sentido, no estudo há pouco citado sobre Francisco Elías de Tejada, ponderou Plínio Salgado que “a Tradição é o caráter da Nação” e, assim como para o homem isolado o caráter vem a ser, em última análise,

a memória de cada ato individual e do conjunto dos atos individuais na sua vida de relação com outros homens e com o conjunto social, informando permanentemente o “fazer” e o 'que fazer' no presente e no futuro, também o caráter de uma Nação consiste nessa faculdade de lembrar, de trazer em dia as atitudes pretéritas, para harmonizar o que foi, o que é e o que virá, num sentido de afirmação de personalidade.[32]
Pouco adiante, havendo ressaltado que não se utilizava, num caso como no outro, do termo “memória” somente no sentido naturalista ou experimentalista da psicologia, mas também com um “sentido espiritual de permanência” e mesmo de “consciência de vocação”, o autor de Reconstrução do Homem, de O ritmo da História e de Como nasceram as cidades do Brasil asseverou que “perder a Tradição, para os indivíduos, como para os povos, é perder a memória e, com esta, a noção do seu próprio ser e do seu definido que-fazer”. É, em uma palavra, “o embrutecimento, que prepara o homem, como as coletividades humanas, para a abdicação de toda liberdade e a extrema degradação dos cativeiros políticos, econômicos e morais."[33]

Afastada da Tradição, a política acabou dominada pelo “idealismo utópico” de que nos falou Oliveira Vianna[34] e que corresponde à “política silogística” denunciada por Joaquim Nabuco[35] e à “política abstrata” de que nos falou José Pedro Galvão de Sousa.[36] Este idealismo, de ruinosas consequências para todo o chamado tecido social, também pode ser denominado idealismo inorgânico e vem a ser o idealismo que não toma em consideração os dados da experiência,[37] ou, noutros termos, da Tradição e da História, podendo ser definido como sendo “todo e qualquer conjunto de aspirações políticas em íntimo desacordo com as condições reais e orgânicas da sociedade que pretende reger e dirigir”.[38]

Ao idealismo utópico, os verdadeiros tradicionalistas e realistas devem opor o “idealismo orgânico”, de que igualmente nos falou Oliveira Vianna e que corresponde, por sua vez, ao “idealismo fundado na experiência” de que nos falou José Ingenieros[39] e ao “idealismo construtor” sustentado por Gustavo Barroso[40] e Plínio Salgado.[41] É este, consoante escrevemos alhures,[42] o idealismo consciente de que as instituições devem brotar da Tradição e da História dos povos e não da cabeça de ideólogos forjadores de quimeras e utopias, isto é, o idealismo que extrai da História uma Tradição sólida e viva, um coeficiente espiritual de edificação moral, social e cívica, um desenvolvimento estável e verdadeiro, transmissor e enriquecedor do patrimônio de pensamento e de costumes herdado de nossos maiores. 

Como bem lecionou Francisco Elías de Tejada, é a Tradição a “causa diferenciadora das comunidades políticas”[43] e a “medula dos povos”, assim como uma excelente “filosofia política”, a “filosofia do homem concreto” e das liberdades concretas e limitadas,[44] em oposição à ideologia liberal do homem abstrato e da liberdade abstrata. Inserida, na expressão de Alberto Buela, “como coisa valiosa no sangue vivo dos povos”,[45] a Tradição, cujos protagonistas, como enfatizou Álvaro D’Ors, são os atualmente vivos e não os mortos,[46] vem a ser o baluarte da identidade e da independência das comunidades nacionais.

Assim, consideramos válida a observação de Alfredo Pimenta segundo a qual “Nação que rejeita a Tradição é Nação que se suicida, que se nega a si própria”,[47] fazendo nossas, ainda, as seguintes palavras de Jacinto Ferreira: “Se é certo que não há ciência sem experiência, também não há Pátria sem Tradição”.[48] No mesmo sentido, em maio de 1967, no discurso de saudação ao então Príncipe Herdeiro e atual Imperador do Japão, Akihito, e à sua esposa Michiko, Plínio Salgado assim disse:

Cumpre preservar o que há de próprio na personalidade nacional, pois um povo que faz tábula rasa de suas características, de suas peculiaridades, de sua tradição, destrói as energias defensivas do seu organismo e prepara-se – através de um mal-entendido internacionalismo e cosmopolitismo dissolvente – para se tornar escravo daqueles que souberam conservar sua tradicionalidade.[49]
Perdendo sua autonomia e vitalidade, bem como a consciência de sua missão histórica, a Nação que renega a Tradição é, pois, como uma planta sem raiz atirada a um rodamoinho ou uma folha amarelada, morta e desprendida de seu galho que o vento leva para lá e traz para cá, ao seu bel prazer.

Havendo falado em Pátria e Tradição, reputamos ser oportuno sublinhar que, como fez ver Marcello Veneziani, nenhum outro lema sintetiza melhor a Tradição do que “Deus, Pátria e Família”, tríade que o pensador italiano denominou a “trindade tradicional”[50] e que é, na expressão de Afonso de Escragnolle Taunay, uma tríade “grandiosa como nenhuma outra”.[51]

Partindo do pressuposto de que o chamado Poder Moderador seria, como aduziu Braz Florentino Henriques de Souza, “o princípio conservador por excelência das sociedades”,[52] observou Ítalo Dal’Mas, no pórtico da obra Nossas Raízes, que “a Raiz simboliza a Tradição, aquele elo que ligo o passado ao presente, aquela força espiritual transmitida de uma geração a outra”, constituindo-se numa “espécie de poder moderador ou fonte de inesgotável diálogo entre o ontem, o hoje e o amanhã”.[53]

A Tradição conserva a Sociedade, além de fecundá-la e robustecê-la, mantendo-a dentro do curso da Ordem Natural,[54] o que representa algo de suma importância, uma vez que, consoante sentenciou Heraldo Barbuy, a violação da Ordem Natural é sempre “punida pela desgraça geral, pela desordem, pela instabilidade, pela revolta e pelo caos”.[55]

Antes de encerrar as presentes páginas a propósito da Tradição, julgamos ser mister salientar que, à luz do tradicionalismo político, doutrina que inspirou este ensaio, é a Tradição algo essencialmente histórico e, como tal, indissociável da História. Esta, por sua vez, quando apartada da Tradição, “é um túmulo”, no dizer de Plínio Salgado. No entender deste, é a História corpo, enquanto a Tradição é espírito, espírito que se renova, se atualiza, se dirige para o Porvir,[56] e, evidentemente, deve reger o corpo.

Por fim, cumpre sublinhar que a fidelidade às raízes, raízes do Homem enquanto ser essencialmente histórico e tradicional, exprime o mais profundo sentido de Tradição, que não exclui, de forma alguma, a razão criadora.[57] Com efeito, podemos dizer que não há doutrina política mais racional do que o tradicionalismo, do mesmo modo que podemos dizer que inexiste doutrina política mais renovadora do que essa. Assim, conhecedores da Tradição, da História e de suas lições e conscientes de que, como asseverou Martin Heidegger, “tudo o que é essencial e grande surgiu do fato de que o homem tinha uma pátria e estava radicado em uma tradição”,[58] bem como do fato de que fora da Tradição não há autêntico Progresso nem efetiva renovação, mas apenas decadência e anarquia, os defensores da Tradição, “homens do eterno”, na expressão de Thibon,[59] e, destarte, os únicos verdadeiros senhores do Futuro, devem lutar, com todas as suas forças e sem nada esperar em troca, para manter viva a chama da Tradição.

#Victor Emanuel Vilela Barbuy

Notas:
[1] Cf. SOUSA, José Pedro Galvão de, A historicidade do Direito e a elaboração legislativa, São Paulo, Edição do autor, 1970, p. 25.
[2] El concepto dinámico de la tradición (Discurso del Parque de la Salud de Barcelona, de 17 de maio de 1903). Disponível em: http://hispanismo.org/politica-y-sociedad/976-discursos-de-vazquez-de-mella.html. Acesso em 29 de junho de 2016. Tradução nossa.
[3]De pai para filho: elogio da Tradição, Tradução de Orlando Soares Moreira, São Paulo, Edições Loyola, 2005. Obra originalmente escrita em italiano.
[4] Segurança jurídica e crise pós-moderna, São Paulo, Quartier Latin, 2012, p. 35.
[5] Cf. LAMAS, Félix Adolfo, Tradición, tradiciones y tradicionalismos, in DIP, Ricardo (Organizador), Tradição, revolução e pós-modernidade, Campinas, Millennium, 2001, p. 26
[6] Cf. BARBUY, Victor Emanuel Vilela, Idealismo utópico e idealismo orgânico (Comunicação apresentada em 29 de novembro de 2011, durante o III Simpósio de Filologia e Cultura Latino-Americana, realizado na Universidade de São Paulo). Disponível em: http://tradicaoehistoria.blogspot.com.br/2016/06/idealismo-utopico-e-idealismo-organico_26.html. Acesso em 30 de junho de 2016; SOUSA, José Pedro Galvão de; GARCIA, Clovis Lema e CARVALHO, José Fraga Teixeira de, Dicionário de Política, São Paulo, T.A. Queiroz, 1998, p. 533.
[7] Ao princípio era o Verbo, 2ª edição, Lisboa, Editorial Restauração, 1959, p. 10.
[8] Idealismo utópico e idealismo orgânico, cit. O trecho de José de Alencar por nós parafraseado se encontra em A propriedade, Prefação do Conselheiro Dr. Antônio Joaquim Ribas, Rio de Janeiro, B. L. Garnier – Livreiro-Editor, 1883, p. 2.
[9] O Novo Estado, Tradução portuguesa, Lisboa, Edições Gama, 1947, p. 15.
[10] O ritmo da História, 3ª edição (em verdade 4ª), São Paulo, Voz do Oeste; Brasília, INL (Instituto Nacional do Livro), 1978, p. 205.
[11] Entre mar e rio, 3ª edição, in Poesias reunidas, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1960, p. 446.
[12] Cumpre ressaltar que, diversamente de Hélio Rocha, consideramos que a Tradição, embora sendo a “seiva circulante” e o “prosseguimento”, representando a “continuidade” e condicionando o “ponto de chegada” de uma comunidade, não deixa também de ser, como o Passado, um “marco”, e de representar também o “começo”, as “raízes” de uma comunidade.
[13] Apud GRAMACHO, Derval Cardoso, Toré: uma tradição inventada na etnogênese dos Kiriri, Dissertação apresentada ao Colegiado do Curso de Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional, do Campus V da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), como requisito para obtenção do grau de Mestre, Santo Antônio de Jesus, Bahia, 2010, p. 7.
[14] La causa diferenciadora de las comunidades políticas – Tradición, Nación e Imperio, Madrid, Instituto Editorial Reus, 1943, p. 16. Tradução nossa.
[15] Dicionário de Política, São Paulo, T.A. Queiroz, 1998, p. 535
[16] Espírito do século XX, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira S/A, 1936, pp. 263-264.
[17] A Tradição (Comunicação apresentada em 5 de maio de 2015, durante a X Semana de Filologia na USP). Disponível em: http://tradicaoehistoria.blogspot.com.br/2015/05/a-tradicaoi.html. Acesso em 30 de junho de 2016.
[18] Les hommes de l’éternel, Paris, Editions Mame, 2012, p. 115. Tradução nossa.
[19] The New Jerusalem, London, Hodder & Stoughton, 1920, p. I. Tradução nossa.
[20] A tradition is a live thing, not a dead one (citação retirada de artigo de Chesterton publicado no jornal Daily News, em 24 de dezembro de 1910). Disponível em: http://platitudesundone.blogspot.com.br/2016/04/a-tradition-is-live-thing-not-dead-one_8.html. Acesso em 30 de junho de 2016.
[21] Péguy, Tradução de Afrânio Coutinho, Rio de Janeiro, Livraria AGIR Editora, 1947, pp. 104-105. Obra originalmente escrita em francês.
[22] L’uomo maschera di Dio, Tradução italiana de Giovanni Visentin, Torino, SEI, 1971, p. 258. Obra originalmente escrita em francês.
[23] Vázquez de Mella (antologia), Seleção, estudo preliminar e notas de Rafael Gambra, s/d, p. 22. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/29642956/Vzquez-de-Mella-Antologia. Acesso em 30 de junho de 2015.Tradução nossa.
[24] Revolución, Conservadurismo, Tradición, in Verbo, série XIII, número 123, Madrid, Março de 1964, p. 293. Tradução nossa.
[25] O ritmo da História, 3ª edição (em verdade 4ª), São Paulo, Voz do Oeste; Brasília, INL (Instituto Nacional do Livro), 1978, p. 205.
[26] Atualidades brasileiras, 2ª edição, in Obras completas, 2ª edição, volume 16, São Paulo, Editora das Américas, 1959, p. 371.
[27] Sob o signo da fidelidade: considerações históricas, São Paulo, Pátria-Nova, s/d, p. 4.
[28] Ideias que marcham no silêncio, São Paulo, Pátria-Nova, 1962, p. 76.
[29] Cf. BARBUY, Victor Emanuel Vilela, O nosso nacionalismo, in DOREA, Gumercindo Rocha (Organizador), “Existe um pensamento político brasileiro?” Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!: uma nova geração analisa e interpreta o Manifesto de Outubro de 1932 de Plínio Salgado, São Paulo, Edições GRD, 2015, p. 79.
[30] A missão da Faculdade de Direito na conjuntura política atual, in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Vol. 63, São Paulo, 1968, p. 110.
[31] A Nação e o Romantismo, in O problema do ser e outros ensaios, São Paulo, Convívio, Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP), 1984, p. 276.
[32] O ritmo da História, 3ª edição (em verdade 4ª), São Paulo, Voz do Oeste; Brasília, INL (Instituto Nacional do Livro), 1978, p. 209.
[33] Idem, pp. 209-210.
[34] Sobre o idealismo utópico, assim como sobre seu oposto, o idealismo orgânico: BARBUY, Victor Emanuel Vilela BARBUY, Idealismo utópico e idealismo orgânico, cit.
[35] Balmaceda, São Paulo, Companhia Editora Nacional; Rio de Janeiro, Civilização Brasileira S.A., 1937, p. 15.
[36] Valores eternos, in Reconquista, ano I, volume I, número 2, São Paulo, 1950, p. 138.
[37] Cf. VIANNA, Oliveira, O idealismo da Constituição, 2ª edição aumentada, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1939, p. 12.
[38] Idem, p. 10.
[39] O homem medíocre, Tradução não assinada, São Paulo: Cultura Moderna, 1936, p. 14. Obra originalmente escrita em castelhano.
[40] Carta à Mocidade Brasileira, in O Integralismo em marcha, 1ª edição, Rio de Janeiro, Schmidt, Editor, 1933, p. 12.
[41] Discursos, 3º edição, in Obras Completas, 2ª edição, volume 10, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 357.
[42] Idealismo utópico e idealismo orgânico, cit.
[43] La causa diferenciadora de las comunidades políticas – Tradición, Nación e Imperio, cit.
[44] La lección política de Navarra, in Reconquista, ano I, volume I, n. 2, São Paulo, 1950, p. 127. Tradução nossa.
[45] Metapolitica y tradicionalismo. Disponível em: http://disenso.info/?p=1949. Acesso em 30 de junho de 2016. Tradução nossa.
[46] Cambio y Tradición, in Verbo, nº 231-232, Madrid, 1985, p. 114.
[47] In CAMPOS, Fernando (Organizador), Os nossos mestres ou Breviário da Contra-revolução: juízos e depoimentos, Lisboa, Portugália Editora, 1924, p. 147.
[48] Poder local e corpos intermédios, Lisboa, Edições Cultura Monárquica, 1987, p. 48.
[49] Homenagem ao Príncipe Herdeiro do Japão, S.A. Imperial Akihito, e sua esposa Michiko, in Discursos parlamentares (Perfis parlamentares 18 – Plínio Salgado), Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea, Brasília, Câmara dos Deputados, 1982, p. 451.
[50] De pai para filho: Elogio da Tradição, cit., p. 138.
[51] Algumas palavras, in Lúcio José dos SANTOS, Philosophia, Pedagogia, Religião, São Paulo, Companhia Melhoramentos, 1936, p. 7.
[52] Do Poder Moderador: ensaio de Direito Constitucional, 2ª edição, Brasília, Senado Federal, 1978, pp. 38-39.
[53] Nossas Raízes, São Caetano do Sul, Edição do Autor, 2009, epígrafe.
[54] Cf. FERREIRA, Jacinto, Poder local e corpos intermédios, cit., p. 50.
[55] A Ordem Natural, in Ecos Universitários (Órgão Oficial do Centro Acadêmico Sedes Sapientiae), Ano III, nº 13, São Paulo, setembro de 1950, p. 1.
[56] O ritmo da História, cit., p. 205.
[57] Cf. SOUSA, José Pedro Galvão de; GARCIA, Clovis Lema e CARVALHO, José Fraga Teixeira de, Dicionário de Política, cit., p. 533.
[58] Ormai solo un dio ci si può salvare. Intervista con lo “Spiegel”. Trad. italiana de A. Marini. Parma: Guanda, 1987, p. 135. Tradução nossa. Texto originalmente publicado em alemão.
[59] Les hommes de l’éternel, Paris, Editions Mame, 2012.
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