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Caros nesta semana comemoramos a semana santa onde refletimos sobre os mistérios centrais de nossa salvação e sobre os eventos que a oportunizaram: a paixão, morte, e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Cristo assume a figura do servo sofredor tipificada pelo Profeta Isaías. Em todos os profetas que foram perseguidos e mortos antes de Cristo vemos prefigurada sua paixão.

Logo importa entendermos qual foi exatamente a natureza de sua condenação a morte, da qual muito se fala mas pouco se entende.

É comum dizer que Jesus foi levado a julgamento por dois processos: um político, dirigido a Pilatos, governador romano da Judéia, onde constava a acusação de que ele tinha se feito Rei dos Judeus. Outro religioso dirigido a Caifás, sumo sacerdote e chefe do Sinédrio naquele ano, tribunal penal religioso ligado a estrutura sacerdotal do Templo de Jerusalém. No processo religioso Cristo era acusado de se fazer o Filho de Deus.

Jesus tinha se declarado Messias e pretendia para si a dignidade real mas de um modo diferente. Reivindicar isso era um delito para a Lex Romana.

Afinal quem de fato desejaria a morte de Jesus? O Evangelho de João sublinha a atuação da liderança do templo e da aristocracia e chama-os de judeus ( Pois as lideranças na medida em que são autoridades constituídas representam o povo inteiro); Marcos em seu evangelho indica com o termo “Ochlos” que foi a massa quem quis a morte de Cristo. Ou seja autoridades e o povo queriam a morte de Jesus. Todo o povo e todas as autoridades? Não é claro! Haviam partidários de Jesus no Sinédrio e entre o povo mas estes eram minoria. Daí podemos inferir que o povo judeu se tornou culpado da morte de Deus pelo fato de o pecado das autoridades ter sido imputado a todo o conjunto do povo judeu. Era assim que Deus agia no Antigo Testamento: quando sacerdotes e reis pecavam, todo o povo era punido. Alguns dirão que essa linguagem se trata de uma metáfora, mas não é assim; a revelação sempre ensinou que o pecado do povo era sempre reflexo dos pecados de seus guias, de seus líderes. Toda sociedade é reflexo de suas autoridades que são os que dão o tom para as massa; dão as elites que dirigem a sociedade e se elas estão corrompidas, corromperão os demais grupos sociais. Assim a culpa da elite judaica da época se estende a todo corpo nacional, a todos os judeus. Não a toa a Tradição Católica classifica-os como deicidas. Há que lembrar das conseqüências coletivas dos pecados individuais. Uma prova do que dizemos é o enfoque do Evangelho de São João. Quando ele foi escrito havia uma dura perseguição do Império Romano aos cristãos. Por que então João adotou um enfoque que culpabilizava sobretudo os judeus e não os romanos? João tinha motivos para retratar Pilatos como maior culpado em face da perseguição de Roma, mas não o fez preferindo ressaltar no processo de Jesus que os judeus eram de quem falava quando disse que “aqueles que te entregaram a mim tem maior culpa“; certamente João preferiu ser fiel aos fatos históricos.

Embora a maior culpa fique com os judeus, Pilatos não pode ser absolutamente desculpado pelo crime de ter condenado Deus Filho a morte na Cruz. Por quê ?

Em geral há a tendência de apresentar Pilatos como um político pragmático que não quis se envolver com o caso para não por em risco sua relação com Roma e com o Imperador Tibério.A Palestina era um problema geopolítico para o Império; era um local estratégico de ligação entre Ocidente e Oriente, área de rotas comerciais importantes, fundamental para garantir o controle e a defesa do vasto território imperial mas ao mesmo tempo foco de constantes revoltas lideradas por fanáticos que tencionavam restaurar o tempo de Davi e a pureza da religião judaica e da terra de Israel comprometida com a ocupação de um império pagão.

Pilatos interroga Jesus e nesse interrogatório faz a célebre Pergunta : “ Tu és Rei?”; da resposta dada a ela dependia o destino de Jesus. E Ele responde “sim eu o sou mas meu reino não é deste mundo”. Que pensou Pilatos de tal conceito de reino e de realeza? Jesus liga a sua realeza a VERDADE. Jesus diz que a essência de sua realeza é o testemunho da verdade.

A questão que nasce daí é a seguinte: Pode a política assumir a verdade para a sua estrutura? Ou deve deixar a verdade restrita ao âmbito pessoal, subjetivo e tentar assim criar a paz e a justiça só com os critérios do poder?

Hoje em dia dada a dificuldade de se encontrar um consenso sobre a verdade cada vez mais se propõe como caminho político o relativismo e o pragmatismo. No entanto sem a verdade é possível a justiça? Não é verdade que as grandes ditaduras totalitárias existiram graças a mentira ideológica e que só a verdade traz a libertação?

São Tomás diz que “ a verdade está no intelecto de Deus em sentido próprio e em primeiro lugar enquanto no intelecto humano está em sentido derivado” (De veritatis , q. 1 , a. 4c). O mundo é verdadeiro na medida em que reflete Deus. O homem se torna verdadeiro quando se conforma a Deus. Deus é a medida do ser. A perdição do mundo consiste em que os homens não decifram a verdade, não reconhecem a verdade o que conduz ao domínio do útil de do cômodo, e deste modo faz do poder dos fortes o deus deste mundo. A realeza de Jesus é o reino da Verdade.

Pilatos será então ameaçado pelos Judeus “se o soltas não és amigo de César” (Jo 19, 12). A preocupação de Pilatos com a carreira e com o poder foi mais forte que sua convicção de que Jesus era um homem justo.

O processo de Jesus revela então o drama da existência humana no mundo.

Para entendermos isso preciso é voltarmos nosso atenção para o Mito da Caverna, do Filósofo Platão.

O Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria da Caverna” é uma passagem do livro “A República” do filósofo grego Platão. É mais uma alegoria do que propriamente um mito. É considerada uma das mais importantes alegorias da história da Filosofia. Através desta metáfora é possível conhecer uma importante teoria platônica: como, através do conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível (conhecido através dos sentidos) e do mundo inteligível (conhecido somente através da razão). O mito fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações. Imaginemos que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais e etc. Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão o chamar de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas idéias consideradas absurdas.

Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade. No mito, os prisioneiros somos nós que enxergamos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo,no seu estado de desordem, mentira e pecado, pois nos apresenta imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna. O sol que ilumina o mundo externo é símbolo do Bem que para Platão é o Deus supremo. Este bem é a verdade que ilumina e liberta das trevas .A verdadeira realidade não é a aparência do mundo mas Deus mesmo.

Platão ao falar de um homem que se livra da caverna e volta para esclarecer seus amigos usa uma alegoria para falar de Sócrates que foi condenado a morte em Atenas por causa da filosofia ou seja de seu amor a verdade. Sócrates acusa os líderes de Atenas de não governarem segundo a verdade; será isso o que irá motivar seu assassinato. Sócrates é um tipo de Cristo, uma prefiguração do messias que vindo a este mundo de trevas o ilumina com a verdade.

O mesmo que se deu com Sócrates se dá com Cristo; ele ao acusar as autoridades de seu tempo irá atrair para si a ira delas. Cristo as acusa de distorcer a lei de Deus, de hipocrisia, de exploração dos fiéis, de terem transformado o templo em covil de ladrões.

Uma tal acusação só poderia atrair para Cristo o ódio.E nela está expresso o ódio a verdade que é marca do homem desde sua queda no paraíso. O homem ao escolher a si odiou a Deus que é a verdade e se tornou filho do Pai da Mentira que é Satanás.

O processo de Jesus é a narrativa da luta entre o reino de Deus e o Reino do Diabo, entre a cidade de Deus e a cidade dos Homens , entre e Jerusalém celeste e a Babilônia (cidade que representa o orgulho e o pecado dos homens).

No fim em Pilatos venceu a interpretação prática do direito: mais importante que a verdade, para Pilatos era a “pacificação”. A não condenação de Jesus podia prejudicá-lo e também provocar revoltas e desordens que era preciso evitar.

Para Pilatos a paz foi mais importante que a justiça. Naquela hora Jerusalém tranquilizou-se. Mas no decorrer da história o fato de que a paz não pode ser estabelecida contra a verdade iria manifestar-se.

Tal drama prova a ilegitimidade das tentativas atuais do clero católico, através de ecumenismos, diálogos interreligiosos e colaboração com os poderes deste mundo aceitando princípios como laicidade, separação estado–igreja, liberdade religiosa, de estabelecer uma paz civil, uma convivência pacífica entre diferentes culturas e credos , sem a verdade. Isso nos lembra o escândalo dos Encontros de Assis onde ao invés de gritar em bom e alto som que só NOSSO SENHOR JESUS CRISTO é a verdade, entregaram igrejas e templos católicos para que pagãos adorassem falsos deuses tudo com a aprovação das altas autoridades católicas. Não há paz fora da realeza de Cristo, a paz sem a verdade é calmaria momentânea , aparência de tranqüilidade.

Que a Paixão de Cristo nos faça tomar consciência da necessidade de lutar contra a Nova Ordem Mundial que quer fundir todas as religiões dentro de um ideal ecológico , pacifista e ecumênico onde a verdade que é Cristo será relegada a segundo plano.Resistamos também ao projeto de demolição da verdade dentro da Igreja onde clérigos impõem a agenda do relativismo.

Uma santa semana santa para todos!

#Rafael Queiroz
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O curso em tela pretende tratar seja do desenvolvimento da maçonaria no ocidente, suas origens e natureza, quanto do seu papel na demolição da cristandade católica passando pelo processo de formação de um poder global laico/secular que representa a nova torre de babel. O curso vai na linha de uma teoria da conspiração, mas de uma teoria consequente que se quer fundada e científica. Um dos fitos do curso é dar um embasamento sério, histórico e metódico aos fatos elencados sobre as conjuras dos pedreiros livres. Outrossim este curso pretende formar uma militância que possa vir a formar futuros quadros para a luta política contra o influxo maçônico na sociedade e em prol do reinado social de Jesus Cristo. 

Ele será dividido em módulos onde, em cada um deles, se tratará de um tema central. O curso é gratuito e se presta a divulgação e formação exigindo apenas a leitura e a dedicação de cada inscrito. 

O professor Rafael G. Queiroz, dono do canal Via Romana e membro do Legião da Santa Cruz, que é quem disponibilizará o curso, apenas pedirá, aos participantes, que ajudem esta iniciativa financeiramente como permitirem os seus recursos. A ajuda tem por fim, apenas, melhorar a qualidade de nossos vídeos e investir no compartilhamento do nosso material; este curso não tem fins lucrativos. 

Segue abaixo a estrutura do mesmo. 

OBJETIVOS

-Objetivo geral: demonstrar a historicidade da atuação maçônica no que tange as revoluções que derrubaram a ordem cristã no ocidente. 

-Objetivos específicos: estabelecer um método de pesquisa que dê conta de rastrear a atuação das sociedades maçônicas; apresentar as fontes basais para o estudo do assunto; avaliar, criticamente, as hipóteses da origem da maçonaria e rastrear sua doutrina; especificar o modus operandi da maçonaria nas revoluções liberais do século 18/19 e nos fatos históricos do século 20; entender a atuação da maçonaria na história do Brasil. 

MÉTODO

- O método do curso será pautado, basicamente em aulas expositivas e material de leitura a ser transmitido passo a passo a medida que os temas forem sendo destrinchados. A metodologia de trabalho em cima das fontes segue a dinâmica estabelecida por Henri Delassus em sua obra “Conjuração Anticristã”. Nela fica estabelecido que a forma de investigação das ações maçônicas é a da análise indireta, ou seja, como o objeto de pesquisa – maçonaria – se esconde nas sombras – dado que estamos falando de uma sociedade semi/secreta ou discreta – o rastreamento de suas ações só pode ser feito a partir de uma costura teórica em torno de conclusões prováveis que se fundam em cima de sinais ou fatos que aparecem aqui e ali, apesar de todo o secretismo e cuidado maçônico. Deste modo não podemos lidar com evidências, no que tange ao método investigativo, pois o método maçônico de ação consiste, justamente, em fazer de tudo para impossibilitar as evidências. Trocando em miúdos, a maçonaria, para ser bem sucedida precisa agir como um criminoso que pretende ficar impune e que, portanto, some com o corpo da vítima. Neste aspecto, para reconstituir a trama do crime é preciso se valer de outros elementos que não tem relação com a evidência material do fato. A metodologia de trabalho sobre a história das ações maçônicas apela a lógica argumentativa e a fatos que, vez ou outra, vem a tona a partir de documentação que, por uma razão ou outra, acaba sendo revelada – como no caso dos planos de Weishaput, descobertos pela polícia régia e depois analisadas e explicadas por historiógrafos.

BIBLIOGRAFIA

Aqui apresentamos apenas uma lista básica e introdutória ao tema o que não nos impedirá de expor uma bibliografia mais extensa ao longo do curso. 

  1. ATIENZA, Juan G. La mistica solar de los templarios. Barcelona: Martinez Roca, 1983 
  2. BOUCHER, Jules. La Symbolique maçonnique. Editeur Dervy, 1990. 
  3. CERVERA, Juan Antonio. La red de poder. Madrid. Dyrsa, 1984. 
  4. CUÑAT, Chema Ferrer. Los templarios y la secta de los Asessinos. In Codex Templi - Los misterios templarios a la luz de la Historia y de la Tradición. Santillana Ediciones Generales. Madrid: Abril 2006 
  5. DELASSUS, Henri. A Conjuração Anticristã. Editora Castela. 
  6. DEWAR, James. Esquema filosófico da la masonería. Madrid: Editorial Istmo, 1981. 
  7. DURÃO, José Ferreira. Pequena História da Maçonaria no Brasil (1720-1882). São Paulo: Madras, 2008. 
  8. FERER, Jose A. El conturbenio judeo-masónico-comunista. Madrid: Istmo, 1982. 
  9. LARREY, Gonzalo Sanz; LOPEZ, Carlos Mayor. La Masonería, de la A a la Z. Madrid: Ediciones Jaguar, 2006. 
  10. MARILLIER, Bernard. B a ba Templários. Lisboa: Hugin, 1998. 
  11. PALOU, Jean. A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática. São Paulo: Pensamento. 

CONTEÚDO


Primeiro módulo: Introdução ao estudo das Conjuras Maçônicas 

  • Aula 01 | O que é a franco maçonaria e sua origem/ introdução a questão historiológica do papel maçônico – Parte 1
  • Aula 02 | O que é a franco maçonaria e sua origem/ introdução a questão historiológica do papel maçônico – Parte 2
  • Aula 03 | O contexto do fim do medievo e a renascença/hermetismo e esoterismo - Parte 1
  • Aula 04 | O contexto do fim do medievo e a renascença/hermetismo e esoterismo - Parte 2
  • Aula 05 | Reforma como filha do hermetismo da renascença: a “liberdade” protestante e a destruição da sociedade católica – Parte 1. 
  • Aula 06 | Reforma como filha do hermetismo da renascença: a “liberdade” protestante e a destruição da sociedade católica – Parte 2. 

AVISOS E OBSERVAÇÕES

As aulas serão lançadas, em média, a cada 15/20 dias. A primeira aula será lançada dia 21/03

As inscrições devem ser realizadas pelo e-mail legiaodasantacruz@gmail.com constando de:

-Nome completo;
-Email;
-Cidade;
-Escolaridade.

A inscrição visa, apenas, o controle do número de participantes e a criação duma lista para envio de material. 

As inscrições devem ser feitas até o dia 04/04.

Um futuro certificado de horas e participação estará condicionado a situações que ainda estamos a resolver. Em breve poderemos dar um parecer sobre isso. 

Bem vindos ao curso! 

Att, prof. Rafael G. Queiroz.
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Os homens vivem numa certa ignorância natural: não podem por si, enquanto indivíduos, abarcar tudo o que a civilização precisa saber para existir. Deste modo os preconceitos - que nada mais são que os conceitos herdados da tradição consolidada - operam como meios poderosos de socialização e racionalização do homem médio: por meio deles os homens entram em contato com as idéias que sustentam uma comunidade humana sem a necessidade de entender perfeitamente todo seu alcance ou sentido. Os conceitos em que se sustenta uma civilização são sempre obra de uma elite que descortina e produz conhecimento. É natural que somente esta elite seja capaz de compreender o significado deles. Aqui não falamos de uma elite econômica ou política mas daquela que, podendo ser econômica ou política, exerce um papel de orientação cultural da civilização , daquela que forja a mente dos povos.

O homem pós moderno busca se livrar dos preconceito; isso nada mais é que uma tentativa de se ver livre das tradições consolidadas abrindo espaço para a liberação total dos costumes e para a destruição da civilização. Estamos diante do homem tribal que rejeita qualquer lei ou ordem. A luta contra os preconceitos é a luta contra a necessidade de qualificar e distinguir isso daquilo e de valorar o mais excelente em relação ao menos. Evidente que nem todos os preconceitos são sadios ou verdadeiros; há civilizações e civilizações. O preconceito comum entre os índios do Brasil Colônia sobre o canibalismo – que eles encaravam como meio de obter o poder e virtude do guerreiro ou inimigo devorado – é um exemplo disso: embora mantivesse a coesão tribal mobilizando-a na luta contra o inimigo e pela sobrevivência, significava um costume bárbaro que deveria ceder lugar diante de um organização civilizacional superior. Foi o que se deu quando os europeus aqui se instalaram e instituíram a religião cristã entre as populações nativas: substituíram um preconceito bárbaro por um civilizado e cristão qual seja o do respeito a vida humana como imagem de Deus. O conceito teológico de homem como imagem de Deus certamente escapava dos nativos. Mas a medida que ele se exteriorizava através da pregação dos padres e missionários e nas instituições que eram criadas pelos colonizadores , acabou virando uma espécie de forma mentis coletiva subjacente ao indivíduo.

A visão racionalista – diretamente responsável pela luta contra os preconceitos – compreende que cada indivíduo é capaz de, por si só, fazer o exame de todas as crenças e submetê-las ao seu juízo. Isto constitui mesmo a base conceitual do iluminismo; dizia Kant que cada um deveria se servir exclusivamente de sua razão , sem apelar a autoridade da religião , tradição , etc . A visão kantiana–iluminista se fundava num amplo otimismo sobre o homem, seja sobre suas capacidades racionais, seja sobre a bondade da natureza humana. Iluministas acreditam que todos os homens tem capacidades iguais e que todos nascem bons sem nenhuma desordem.

Na verdade o iluminismo é uma grande farsa. Basta analisarmos o homem em sua condição histórica. O iluminista esquece disso e olha a razão humana apenas de um ponto de vista idealista, olha para a razão apenas em seu sentido geral sem levar em conta as condições concretas que podem tolhê-la ou estimulá-la, que fazem de uns mais inteligentes que outros e portanto mais capazes de resolver problemas que outros. Embora todos os seres humanos sejam racionais em potência, quanto ao ato, essa racionalidade não existe no mesmo grau em todos os homens. Assim todos os homens tem potencial muscular mas nem todos desenvolvem a musculatura e outros a desenvolvem mas nunca no mesmo grau. Em suma, apesar de haver um certa igualdade entre os homens enquanto dotados da mesma natureza, existe uma desigualdade que é decorrente da atualização dessa mesma natureza em cada um. Cada homem individual está em um grau de saber e virtude diferente.

Onde queremos chegar ? É bem simples: para a humanidade é uma lei que muitos dependam de poucos; e esses poucos são os que possuem em maior grau o saber e a capacidade de ordenar. As civilizações não avançam sem essas minorias. Essas minorais são criadoras de leis, instituições, são as custodiadoras dos valores que impregnam a cultura de um civilização. A maioria menos capaz resta assimilar o que a minoria realizou de superior. Foi isso que durante os séculos de formação do ocidente cristão se deu : a minoria (o clero católico) forjou as bases de nossa cultura. A maioria (nobres e servos) assimilaram as verdades e preceitos transformando-os em tradição. As gerações seguintes herdaram esse legado como um patrimônio sagrado. Mas quando os iluministas pretenderam levar a discussão esse patrimônio sagrado, através da critica racional a sociedade do antigo regime e das suas bases teológicas e históricas, abriram–se os tempos revolucionários e o mundo, combalido pelo culto da razão humana apartada da história, entrou num torvelinho de revoluções sem fim que ameaçam destruir todos os elementos civilizacionais.

Entendamos: a luta contra os preconceitos é a luta da razão abstrata e igualitária contra a razão histórico-tradicionalista que nos ensina que, em face da desordem que acomete a natureza humana, não podemos confiar no pensamento individualista que se põe a julgar o passado em nome do presente, do futuro ou do progresso da humanidade visto como liberação do passado. O passado constitui uma lição para as gerações futuras não podendo ser ignorado. Ignorar o passado e querer se ver livre dos preconceitos é apostar no escuro. Pretender refundar a civilização humana na ausência de critérios – que é em suma a luta da atual idéia de combate aos preconceitos – é construir em cima de nuvens e de vento, ou seja, caminhar para o mais absoluto niilismo. Como as sociedades humanas precisam de um poder que as organize o que restará é apenas a lei do mais forte: sem os preconceitos a moderar as ações do poder político pelo respeito sagrado a sabedoria do passado, restará apenas a capacidade de quem tem dinheiro e meios de formar a opinião da maioria como bem quiser, de acordo com seus interesses mais imediatos. O fim dos preconceitos abre a via para a dominação de uma nova elite, essa sim mais inescrupulosa que todas as outras que já existiram, pois sem nenhum critério moral absoluto a lhe moderar os apetites de poder. Sem preconceitos não há limites morais e sem limites morais tudo é permitido.

Como bem diz Blaise Pascal em sua obra "Pensamentos", no nº 331, os princípios da vida política foram criados para moderar a depravação e loucura dos homens
Platão e Aristóteles escreveram sobre política para pôr ordem em um hospício... sabiam que os loucos a quem falavam julgavam-se reis e imperadores, entravam nos princípios para moderar sua loucura na medida do possível.
Sobre isso cabe atentarmos para as sábias palavras de Russel Kirk sobre a função dos preconceitos na vida da civilização:
(...) todos possuímos preconceitos. Isso nem é de todo uma desgraça. Alguns de nossos preconceitos são tolos e, talvez, perniciosos, mas outros são, simplesmente, as regras necessárias pelas quais vivemos.

"Pré-conceito" significa pré-julgamento: ou seja, decisões a que chegamos rapidamente sem ter de pesar muito as provas. Assim, se os "pré-conceitos" que temos são sensatos ou insensatos, dependerá das fontes de nossas crenças e de nossas preferências mais arraigadas.

É claro que uma pessoa pode nutrir preconceitos tolos a respeito do tom da pele ou dos cabelos de outro ser humano ou sobre a natureza de sua religião. Mas também é verdade, como escreveu Edmund Burke (1729-1797), que por um sábio preconceito a virtude se torne hábito.

Dessa maneira, povos de inclinações saudáveis e de instrução moral decente alimentam um preconceito a respeito do assassinato. Quando ouvimos que foi cometido um homicídio, reagimos a partir de nossos pré-conceitos -- e é justo que o façamos. Não perguntamos se o homem assassinado era bom ou se o assassino tinha boas maneiras, ou (supondo que sintamos como se estivéssemos desferindo o derradeiro golpe) podemos conseguir escapar sem sermos notados. Diferente da personagem principal do romance de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), "O Idiota", não pesamos racionalmente os aspectos benéficos e nocivos de um determinado assassinato para então decidir se iremos eliminar outra vida humana.

Ao contrário, simplesmente obedecemos ao mandamento "Não matarás", caso sejamos pessoas normais. Ao tomarmos conhecimento de um assassinato, decidimos que independente das circunstâncias particulares, o assassinato é mau e que a justiça deve ser feita. Um preconceito sensato, adquirido desde cedo na vida, nos informa que o assassinato é algo proibido e que não deve ser tolerado por sentimentalismos.

Igualmente, somos capazes de manter uma decente ordem social civil porque a maioria de nós age com base em sábios preconceitos sobre roubo, crueldade e fraude. Não temos de titubear e tentar ponderar as possíveis perdas e ganhos que encerram atividades como a trapaça ou o espancamento do próximo. Se somos bons, a maioria das pessoas é boa por ter hábitos morais. Não temos de realizar uma espécie de cálculo todas as vezes em que somos compelidos a tomar uma decisão moral.

Instilamos, deliberadamente, preconceitos desejáveis desde o início da vida -- por exemplo, no ato de dar umas palmadas caso nossos meninos persistam em chutar as canelas de outros meninos. Pais prudentes, de modo acertado, criam suas crianças com preconceitos a respeito de pequenos furtos em lojas, de estilhaçar janelas e de atormentar os cães. Não ensinam aos seus rebentos a perguntar: "Será que alguém vai me assistir torturando aquele cãozinho?"ou "Não seria mais divertido que perigoso dar um jato d'água na Sally?"

Permitam-me acrescentar que pais saudáveis também tentam manter os filhos livres de falsos preconceitos. É uma questão de discriminação precoce, mas criar alguém completamente sem preconceito é educar de modo indeciso e totalmente imoral. Não é errado ser preconceituoso com trapaceiros, mentirosos, fanáticos e demagogos.
#Rafael Queiroz 
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A morte de René Guénon chamou-nos a atenção sobre uma obra das mais significativas de nossos dias, pois se constitui fora da mentalidade moderna e do mundo intelectual de nosso tempo. Guénon soube livrar-se dos prejuízos de nossos dias e elaborou sua obra com o inflexível rigor da solidão. Ele tocou nos problemas da civilização técnica e das ameaças que implica.

Uma das primeiras verdades que a obra de Guénon traz é a reabilitação do conhecimento simbólico frente ao conhecimento científico. Para um homem formado na química ou na astronomia é absurdo voltar a astrologia ou a alquimia. Para o mesmo todo o espírito moderno é um desvio e, há mais verdades essenciais na astrologia, com todas suas infantilidades, que na astronomia com sua técnica. 

Toda a ciência pode aumentar as dimensões da jaula material onde o homem está; mas nunca pode libertá-lo dessa jaula. A intuição intelectual que podemos ter a partir das realidades do mundo material nos leva a captar uma realidade que as supera e que tem um valor mais vital.

Entenda-se o que queremos dizer: Guénon não quer a volta a astrologia ou alquimia em sua forma vulgar de pseudociência. Trata-se de entender que os metais e astros nos interessam mais pelo seu significado que por sua composição ou uso que deles possamos fazer. Podemos considerar uma esmeralda como um bem comercializável; é o que faz o joalheiro e comerciante. Podemos considerá-la do ponto de vista de suas propriedades materiais; é o que faz o químico. Mas o que de mais real tem a esmeralda é sua cor viva e dureza, e isso é o que o alquimista capta.

A astronomia não faz mais que informar sobre a mecânica dos astros; fazer isso significa ficar na superfície das coisas. O mundo estelar está prenhe de sentido. São estes sentidos e significados que cabe descobrir; Guénon compreendeu que os movimentos estelares mais que arquétipos dos movimentos terrestres, são sinais de realidades de outra ordem. Mircea Eliade já observava que os povos antigos viam no céu visível sinais de uma hierofania através da qual se manifesta o mundo espiritual. Isso é o oposto de uma astrologia vulgar que crê estar a existência humana condicionada pelos astros.

Submete a mesma crítica a geometria e a matemática: as figuras geométricas não interessam pelas relações numéricas, mas pelo valor qualitativo da figuração simbólica. Junto a ciência dos números se acha a simbólica dos números: não sem razão o 7 e o 40 desempenham um papel fundante na simbólica bíblica, constituindo uma verdadeira linguagem. E esta linguagem não é convencional, mas baseada na natureza das coisas, o que nos conduz a uma conclusão: as tradições por mais diversas que sejam nos apresentam símbolos idênticos ou semelhantes. A que atribuir esta permanência? Não é fácil admitir que isso se deva a uma transmissão de uma tradição original como quer Guénon. É mais fácil concluir, com Mircea Eliade, que estes símbolos se fundam na natureza mesma das coisas e, que os homens dão idênticos significados aos mesmos objetos.

Guenon faz entrar a simbólica cristã na simbólica tradicional. Relaciona a simbólica da cruz na Índia e no cristianismo. Observa que o número dos doze apóstolos é um símbolo que remete ao Zodíaco de doze constelações. A veste branca do Papa atesta o valor do branco em todas as religiões. Existem de fato analogias indubitáveis. Analogias que levam Guénon a ver no cristianismo nada mais que uma das formas da tradição primordial: ele se interessa pelo cristianismo pelo que tem de comum com outras tradições. E desde aqui não é possível mais segui-lo: o cristianismo reconhece uma simbólica natural que se acha relacionada com a religião cósmica, quer dizer, com essa revelação que Deus faz aos homens através do mundo visível. O cristianismo é muito diferente disso: é a irrupção de Deus na história, um fato novo. A cruz nele não tem mero valor simbólico mas que Cristo foi imolado nela. Como o patíbulo onde Cristo foi imolado tinha forma de cruz a liturgia da Igreja carregou-a de todo simbolismo natural para significar que ela indicava as 4 dimensões e o eixo do mundo e que a redenção tem valor universal. Porém estes simbolismos tem importância secundária frente aos fatos históricos. E é esta importância do cristianismo como novidade absoluta que desconhece Guénon.

Nada tem isso de estranho já que a condenação de toda a história, forma parte essencial de seu pensamento. Experimentamos uma grande satisfação quando vemos Guénon condenar, com uma violência que não tem igual, as ideologias modernas do progresso, da evolução e do historicismo. Estamos de acordo com ele em pensar que é absurdo crer que o desenvolvimento da ciência possa levar a uma transformação qualitativa da humanidade. Guénon porém vai mais longe e vê decadência em tudo. Decadência que se acentua a partir do século XVI. A ciência enquanto tal, e não apenas o uso culpável que dela se possa fazer, não há de arrastar o mundo a pior das catástrofes, na medida em que ganha importância maior que a da Sabedoria?

É preciso reconhecer o alcance da crítica tão valente que Guénon faz dos prejuízos nefastos do mundo moderno. Pelo fato de esperar uma salvação da ciência o homem se aliena dos únicos verdadeiros meios de salvação. Os que alimentam essa ilusão, chamam-se marxistas e liberais, são os verdadeiros responsáveis pela miséria do mundo moderno. Não há dúvida que as noções de progresso científico se acham desprovidas de todo sentido espiritual. Não há dúvida que a hipertrofia da ciência materialista e moderna afasta o homem moderno da intuição intelectual dos valores metafísicos. Não há dúvida que no plano natural, a passagem do tempo não traz ao homem nada de essencial e que só os princípios metafísicos constituem o essencial e estes princípios são imutáveis.

Não há nada de essencial que possa ser novo na ordem natural. Porém não sucede o mesmo no plano cristão. Pois neste nos encontramos na presença de fatos que mudam qualitativamente a existência humana e que constituem por isso uma novidade absoluta. Basta ler São Paulo para ver com que freqüência se repetem as expressões de “nova criação” e “homem novo”. Existem portanto elementos que não possuía a tradição anterior que mostra uma promoção espiritual, que corresponde ao passo que se dá no conhecimento de Deus e da revelação da sua via íntima por Jesus Cristo. Em efeito só no cristianismo se dá a História. Isto foi o que Guénon não viu: para ele o cristianismo não é realidade única. A prova disso é que ele, ao fim da vida foi parar no Islã.

Isto nos conduz ao último aspecto de seu pensamento, o que se refere às relações entre ciência, sabedoria e fé. Uma vez mais chama a atenção da parte positiva de seu pensamento: contra o relativismo e pragmatismo ele restaura o valor do pensamento especulativo. A realidade suprema é o mundo das idéias eternas cujo reflexo são as coisas sensíveis. A atividade mais elevada do homem é a intuição das essências. Só o conhecimento destas idéias eternas pode nos fazer organizar as coisas com sabedoria. Quem possui este conhecimento possui a autoridade espiritual. Guénon restitui a seu pleno valor a concepção hierárquica da sociedade que choca com o dogma moderno da democracia e do voto universal. A autoridade espiritual se compõe de quem possui a Tradição e subsiste de forma máxima no “rei do mundo” que é seu arquétipo ideal. Essa autoridade se encarna visivelmente em certos personagens. O Papa representa para Guénon uma destas autoridades. Ele defende esse aspecto do catolicismo e vê, no protestantismo, nada mais que uma perversão do autêntico cristianismo.

Agora bem: de que tradição são depositárias as autoridades espirituais? Só da tradição dos princípios intelectuais. Estes princípios são, sobretudo, os da filosofia da Índia e do Vedanta ao que Guénon consagra sua primeira obra. Nela fala de verdade suprema. Filosoficamente isso é inquietante. Pois a filosofia da Índia nos deixa na incerteza de dados como a transcendência de Deus, da imortalidade da alma, da criação. O que choca ainda mais é que a verdade suprema é a verdade filosófica. As grandes religiões monoteísticas seriam apenas um compromisso entre as verdades filosóficas e as necessidades afetivas dos homens que exige que eles tenham misticismos e liturgias. É esta inversão da relação que une metafísica e revelação cristã que constitui o erro capital de Guénon.

Aqui é que se insere o problema de sua obra que é o esoterismo. Por esoterismo podemos entender muitas coisas: podemos considerar no interior de uma religião existem coisas inteiramente distintas. Por uma parte se pode considerar que no interior de uma religião existem coisas que não podem ser comunicadas, sem faltar com a prudência, aos principiantes. Tal era a explicação do livro de Cantares no Judaísmo; tal é a via mística no cristianismo. Porém em um ou outro caso não se trata de doutrinas diferentes senão de aprofundamento na mesma doutrina. Para São Paulo a gnose nada mais é que aprofundar a fé. Nada é mais contrário ao cristianismo que a noção de uma fé de primeira e de segunda categoria. O batismo é que constitui a iniciação. O batizado não precisará receber uma segunda iniciação para conhecer um sentido secreto dos ritos e dos dogmas.

Porém o esoterismo tem um segundo sentido, que é o assumido por Guénon: consiste em dizer que além da diversidade das religiões, existe uma doutrina oculta, que é comum e cujo saber pertence apenas aos iniciados. Existe uma doutrina secreta diferente da doutrina pública ou exotérica. E esta doutrina não é que ensina o catecismo. É outra doutrina cuja transcrição simbólica são os dogmas, mas é preciso ser iniciado para saber seu sentido oculto. Para Guénon há uma oposição entre religião e sabedoria que seria a doutrina oculta. Para ele só tal doutrina nos pode dar a salvação e não a figura de Cristo.

A obra de Guénon é, a um tempo, importante e decepcionante. Nos atrai por que denuncia os erros modernos; mas se passamos ao pensamento positivo de Guénon nos deparamos com algo incompatível com o cristianismo pois nega a essência da fé cristã: o caráter privilegiado da ressurreição de Jesus Cristo.

#Cardeal Jean Danielou 
O Mistério da História, Capítulo IX.
Tradução: Rafael Queiroz
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Quem acompanha nosso blog sabe que temos uma posição bem clara sobre o atual pontificado dado que não poupamos críticas a Bergoglio quando ele nos pareceu por em risco a fé e o bem comum da Igreja. Todavia isso não nos tira o compromisso da objetividade e da justiça mesmo quando se trata de falar de um pontificado que não nos agrada. 

Em tempo: a direita americana passou os anos da guerra fria dizendo que o Papa não é infalível em matéria social e que, por isso, as críticas de Paulo VI, João Paulo II, etc, ao livre mercadismo, não deviam ser seguidas. Eis que, de repente, a sucursal desta direita cá no Brasil quer que Francisco condene Venezuela e Bolívia por razões sociais. Ora, ou o que o Papa fala nessa área vale ou não vale. Ou só vale quando é para chancelar o capitalismo a lá EUA? Para tentar induzir o rebanho católico a condenar a ação de Francisco no que diz respeito a Venezuela, a nova direita ilude o público dizendo que ele tem as "mãos sujas com sangue de cristãos martirizados pelo regime de Maduro" (Percebam a má fé do sujeito que se intitula jornalista mas não cita de maneira nenhum as críticas abertas que Francisco fez a regimes como o de Maduro, como vamos mostrar abaixo[1]). A idéia é forçar uma associação total e completa entre Francisco/Maduro/Foro de São Paulo, ou seja, entre Bergoglio e o comunismo bolivariano. Embora seja evidente que Francisco tem pendores mais a esquerda isso não quer dizer que ele seja um comunista favorável a regimes de força - como o que vem sendo criado na Venezuela. As posições políticas pessoais de Francisco são a de um democrata-liberal de esquerda e não de um caudilhismo autoritário de esquerda como sói acontecer no bolivarianismo venezuelano. 

No ano passado Bergoglio chegou a protestar contra as medidas mais autoritárias de Maduro como podemos ver aqui: 
A secretaria de Estado do Vaticano emitiu um comunicado onde pede ao Governo da Venezuela “que se evitem ou suspendam as iniciativas em curso como a Nova Constituinte” e pede às forças de segurança que se “abstenham do uso excessivo e desproporcionado da força”.

Numa mensagem de três parágrafos publicada esta sexta-feira de manhã, o Vaticano refere que iniciativas como a Assembleia Nacional Constituinte, eleita este domingo sob acusações de fraude, “mais do que favorecer a reconciliação e a paz, fomentam um clima de tensão e confronto e hipotecam o futuro”. Na mesma nota, o Vaticano pede que “se assegure o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, tal como da Constituição vigente”.

O Vaticano diz manifesta ainda a sua “profunda preocupação com a radicalização e agravamento da crise”, referindo o aumento de mortos, feridos e detidos. Além disso, diz que o Papa Francisco “acompanha de perto” a situação do país e “as suas implicações humanitárias, sociais, políticas, económicas e também espirituais”. O líder do Vaticano convida “todos os fieis do mundo a rezar intensamente” pela Venezuela.

O tom da missiva do Vaticano representa um revés para Nicolás Maduro, que em junho chegou a pedir ao Papa Francisco que atuasse como mediador da crise venezuelana. “Na condição de vigário de Cristo, tenho a plena certeza de que a sua colaboração ativa e orientadora pode abrir uma nova etapa do diálogo nacional”, escreveu numa carta enviada ao líder do Vaticano. “Já basta de tanta violência: é necessário dar uma chance à paz, sem armadilhas nem artimanhas.” [2]
A nova direita aposta, insistentemente, numa ideologia anti-esquerda que, no ardor de combater o comunismo, deixa de fazer as devidas graduações como se tudo fosse a mesma coisa e como se uma mera benção dada por Francisco a Maduro fosse uma carta branca ao seu regime. Não bastasse a falta de habilidade intelectual em analisar os fatos a atitude da nova direita ainda se mostra dotada de malícia extrema pois extrai conclusões impossíveis de fatos recortados ao bel prazer da necessidade do momento. Enquanto Francisco tenta estimular um acordo para pacificar o quadro na Venezuela, os dois lados - seja o de Maduro, seja o da oposição - apostam numa radicalização. Francisco tem se colocado acima dos discursos ideológicos dos dois partidos para tentar encontrar uma saída para o país o que fica claro aqui

Cabe recordar que Maduro fez fortes críticas a Francisco: 
Durante el vuelo nocturno de regreso de Colombia a Roma, el Papa Francisco aseguró a los periodistas que le acompañaban en el avión que «la Santa Sede ha hablado fuerte y claramente» sobre la situación de Venezuela y los pasos necesarios para salir pacíficamente de la crisis.

Respecto a las desaforadas críticas del presidente venezolano contra el Papa y la conferencia episcopal de su país, Francisco se limitó a comentar: «lo que dice Maduro que lo explique él. No sé lo que tiene en mente».

En tono sereno, el Santo Padre explicó que «la Santa Sede ha hecho mucho. Envió un nuncio de primer nivel para el trabajo de los cuatro expresidentes. Ha hablado con personas en público y en privado. Yo he hablado muchas veces en el Ángelus…».

El Vaticano tiene muy poca influencia sobre Maduro, pero de modos diversos -muchos de ellos reservados- ha estado «buscando una salida, ofreciendo ayuda para salir», pero «parece que la cuestión es muy difícil»[3]

Logo, atrelar Francisco a Maduro como se estivessem de pleno acordo é um erro grotesco e, quiçá, má fé diabólica.

#Rafael Queiroz
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Não é de hoje que as novelas da TV Globo vem servindo de meio para transformar a mentalidade e o senso comum da população num sentido progressista, imoral e anticristão. A nova novela das sete, “Deus Salve o Rei”, é mais um estratagema global para atingir esta meta. A mesma pretende fazer uma releitura da Idade Média, com base, notadamente, em feminismo. 

Antes de abordar essa questão é preciso dizer alguma coisa sobre os erros da novela quanto a forma de retratar o medievo. Primeiro que a era medieval foi mais marcada por disputas entre feudos que entre “reinos”. Na verdade os “reinos” medievais não passavam de feudos cuja propriedade estava na mão de algum nobre que tinha ascendência régia. O rei medieval era um mero senhor feudal: só tinha autoridade sobre seu domínio fundiário. Seu titulo monárquico era apenas simbólico: ele não possuía burocratas, funcionários, exército regular nem poder de cobrar impostos sobre outros senhores feudais ou impor-lhes leis. Ele só tinha autoridade sobre sua pequena porção de terra. O título da Novela – Deus salve o rei – já é, por si mesmo, um anacronismo. 

Por outro lado a novela derrapa em erros crassos quando apresenta um figurino cheio de decotes no que tange aos personagens femininos, como podemos ver abaixo:


A personagem de Marina Ruy Barbosa é apresentada como uma mulher aberta, jovial, despojada; a Idade Média encarnava, ao contrário, no que tange a vestuário e apostura social da mulher, uma sobriedade imensa. 


Outro erro absurdo é desconsiderar que as mulheres medievais usavam o véu. A novela expõe as personagens femininas – todas elas – sem tal aparato. Como poderemos ver, nas representações abaixo, que retratam a mulher do medievo, a novela expõe uma imagem da idade medieval que nada tem a ver com o período. 

Nesta figura vemos Ana da Bretanha representada com o seu véu. Uma mulher jamais podia se apresentar em público sem ele. Vejam que suas pajens também o fazem e que, todas elas usam cores sóbrias.

Aqui vemos Cristini de Pisan lendo para alguns súditos. Mais uma vez o véu se faz presente.

Mas por que a Globo estaria empenhada nesta caricatura da idade média? É BEM SIMPLES. Vejamos o que o autor da novela nos diz: 
A gente passou a vida toda escutando histórias medievais de reis e rainhas. Queria falar disso, mas de forma contemporânea — conta Daniel Adjafre, que assina sua primeira novela como autor titular: — Nossa intenção é que o público se identifique rapidamente com a trama e os personagens. Temos uma pesquisa histórica, mas não seremos tão rigorosos ao abordar os códigos da época. É uma opção clara para evitar certas coisas, como as relações distantes entre namorados, por exemplo, até coisas mais triviais, como o modo de comer das pessoas.[1]
Adjafre é muito claro: usar a idade média como motivo para falar de coisas contemporâneas. Mas que coisas seriam essas? A novela, como um todo, se revela como um folhetim feminista e romântico da pior espécie. 

Primeiro ela aborda a velha temática da literatura romântica que sempre se fundou na dialética indivíduo x sociedade, apostando na tese de que quanto menos o sujeito der ouvidos a sociedade e mais às suas pulsões sexuais e afetivas mais feliz ele será:
A novela trata do quanto o destino (Leia-se sociedade, Igreja, família, tabus, etc) interfere nas escolhas e o quanto existe de livre-arbítrio (Leia-se licensiosidade de fazer o que bem entende) na vida das pessoas. Ao contrário da maioria das histórias medievais, que parte da disputa de trono por dois ou mais herdeiros, “Deus salve o rei” mostrará dois príncipes que não almejam o título de rei (Uma crítica velada ao poder monárquico?).[2]
Ainda: 
Na história, Afonso (Rômulo Estrela), o príncipe herdeiro de Montemor, abdica do trono ao se apaixonar pela plebeia Amália. Ele entrega o posto ao seu despreparado irmão caçula, Rodolfo (Johnny Massaro).[3]
É o velho discurso do romantismo literário da primazia do desejo individual sobre o dever social. 

O engajamento feminista da novela é mais claro que a luz do sol. O elenco da novela, dias atrás, foi convidado para comentar sobre o manifesto feminista das atrizes de Hollywood. Vejamos: 
Apesar de alguns dias já terem se passado desde o momento histórico, os atores brasileiros também entraram na luta ao falar sobre o assunto enquanto se preparavam para assistir ao primeiro capítulo da novela Deus Salve o Rei. Grande parte do elenco, como Fernanda Nobre, Bruna Marquezine, Rômulo Estrela e Caio Blat, falou com exclusividade com o site HT sobre a repercussão que ainda vai durar por muito e muito tempo. “As mulheres precisam ficar muito felizes com este momento único e histórico que estamos vivendo. Temos que mudar a forma como a indústria funciona. Ser atriz é um ato político hoje em dia, porque temos uma responsabilidade. Precisamos usar a notoriedade para abrir os olhos das pessoas e incentivar a discussão”, afirmou Fernanda Nobre. “Fico feliz de estar viva para ver isto. Este é um momento no qual os homens precisam se calar e escutar, com todo o amor do mundo e empatia. Me sinto muito orgulhosa de fazer parte desta geração. Sei que lá na frente algumas meninas irão agradecer a estas pessoas que estão fazendo a diferença, assim como olho para trás e fico feliz por terem existido figuras femininas importantes para mudar a nossa história. Estamos honrando o nosso passado de uma forma muito potente e bonita. Sem contar que eventos com campanhas como esta motivam a juventude. Em todas as profissões, acho coerente haver pessoas empoderas para que os mais novos possam se espelhar”, completou Bruna Marquezine. Ao seu lado, representando uma outra geração, que também fez muito para o movimento das mulheres poderosas, estava Rosamaria Martinho. “Sempre fui feminista. Eu ganhava o meu dinheiro sozinha e tenho várias amigas, da minha idade, com pensamentos parecidos ao meu”, garantiu Rosamaria.[4]
Um blog feminista diz que: 
DISCURSO EMPODERADO DE AMÁLIA FAZ SUCESSO: Logo em sua primeira cena, com seu namorado, Virgílio (Ricardo Pereira), Amália mostrou toda sua independência. Ele propôs que ela deixasse seu trabalho para se dedicar somente a ele: "É sério, meu amor... Compro tudo, ponho uma pessoa trabalhando em seu lugar". "Tenho o meu negócio porque não quero ter um patrão", garantiu a ruiva. No Twitter, os fãs vibraram com o discurso contemporâneo da mocinha: "Amália, feminista e revolucionária desde os tempos medievais....já amo!!!! Marina pediu pra ser linda e socorro!", "Amália na era medieval já tava ensinando que mulher não tem que se submeter a homem nenhum, mesmo tendo renda baixa! Amália rainha e o resto nadinha!" e "Amália empoderada. Já amo!", foram alguns dos comentários.[5] 
Para piorar o quadro a novela ainda vai exaltar a imagem de uma bruxa que vai buscar um lugar social como “militar”. Sabemos que na era feudal só homens tinham acesso a carreira militar não por questão de “preconceito” mas por que o mundo medieval tinha em alta consideração os direitos da mulher, vista como alguém que devia gozar da máxima proteção em razão de seu papel fundamental na educação. Em Bizâncio, numerosas eram as mulheres na universidade. Anna Comnena fundou em 1083 uma nova escola de medicina onde lecionou por vários anos. 

Eleonora da Aquitânia, enquanto rainha, desempenhou um importante papel político na Inglaterra e fundou instituições religiosas e educadoras. A mulher era poupada da guerra para ser agente da civilização dos costumes! 

Vejamos: 
Outra aposta de Deus Salve o Rei é a atriz Marina Moschen, que interpreta a bruxinha Selena, que sonha em cursar a Academia Militar de Montemor. Justamente por ser a primeira mulher naquela instituição, sofre forte preconceito. É obstinada, resistente e excelente aluna. Ela também tem um estranho dom, que se torna uma maldição: seus sentimentos têm uma inexplicável conexão com a natureza, fazendo com que suas reações emocionais se propaguem nas mais diversas formas. [6] 

É toda uma “contra idade média” que a novela quer passar como imagem. Ainda que o autor diga que não quer fazer uma obra rigorosamente baseada nos fatos passados o que fica na mentalidade popular é a mensagem transmitida pela TV Globo, imagem caricatural que se presta a uma verdadeira catequese feminista e romântica onde o medievo ora aparece para reforçar tal doutrinação, ora aparece para ser criticado e negativado – como no caso da bruxa Selena que será estigmatizada por desejar a vida militar. 

Não restam dúvidas de qual seja o objetivo – escuso – de “Deus Salve o Rei”: promover um discurso feminista odioso, semear uma guerra sexual no Brasil, postular uma negativação sutil do medievo, reforçando uma lenda negra sobre a Cristandade, além de espalhar um ideário subjetivista e individualista romântico de culto aos desejos contra as proibições e “preconceitos” sociais. 

 
#Rafael Queiroz
Trump era uma esperança para reacionários e antiglobalistas mas acabou virando uma grande decepção. O presidente americano prometera, durante as eleições, fazer um politica isolacionista em face aos problemas mundiais, reduzindo, assim, o intervencionismo americano no globo, e investindo mais energia nos problemas internos dos EUA. Como o poder americano vem sendo a ponta de lança da implantação das pautas do progressismo democrático secular pelo mundo, se tal promessa fosse cumprida, a Nova Ordem Mundial sofreria um duro golpe, dado que perderia o aparato de estado americano, fundamental para que seus planos de governo global se efetivem. Todavia Trump foi capturado pela ala neocon do partido republicano: isso é que explica sua virada para um intervencionismo crescente nas questões que envolvem Coréia do Norte e Irã, sobretudo. Vejamos que as ações de Trump vem sendo até mais fortes que as do Obamismo que sempre preconizou de forma aberta, uma liderança dos EUA a nível mundo quanto a implementação dos "valores ocidentais" - leia-se iluminismo. Trump bombardeou a Síria e agora conspira com Israel para derrubar o regime iraniano o que prova, mais uma vez, a quem Donald está atrelado: à velha banca judaica. 

Sobre os últimos fatos ocorridos no Irã, onde "pipocam" manifestações contra o regime - a soldo de dinheiro americano e judaico - é preciso que fiquemos cientes do seguinte: 

1. A produção de "Fake News" pelas agências de inteligência israelense com o intuito de criminalizar o regime dos aiatolás e caracterizá-lo como "financiador de terrorismo"

Recentemente a Agência de Segurança de Israel (ASI), mais conhecida como Shin Bet, identificou uma "rede terrorista" na Cisjordânia que supostamente trabalhava para a inteligência iraniana, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "O serviço de segurança, junto com o exército, desvendou uma rede terrorista na Cisjordânia que clandestinamente cooperava com a inteligência iraniana", afirmou Netanyahu em uma declaração pública em vídeo, divulgada pela sua administração. De acordo com o relatório da Shin Bet, no total foram detidos 3 palestinos. O líder seria um estudante de engenharia de computadores, Muhammad Makharmeh, de 29 anos, residente da região de Hebron. De acordo como o serviço secreto israelense, ele foi recrutado pela inteligência iraniana em 2015 através de um parente que mora na África do Sul. "Quero chamar a vossa atenção ao fato de o Irã estar conduzindo atividades terroristas contra Israel, não só ajudando aos movimentos terroristas, tais como o Hamas, Hezbollah e Jihad Islâmica, mas também tentando organizar atividades terroristas no território israelense", resumiu Netanyahu.

Bastam três sujeitos para caracterizar uma rede terrorista? Uma rede que se reúne desde 2015 mas que não conseguiu efetivar nada até agora? Que rede incompetente! Ademais: como o Irã poderia colaborar com o grupo Jihad Islâmica se tal grupo é sunita e se os sunistas jihadistas lutam, agora, contra Assad na Síria que tem o apoio do Irã (In: UOL: Chefe do Estado-Maior do Irã oferece apoio a Assad para reconstruir Síria)? 

Outrossim as alegações de Netanyahu não passam de alegações. Não se apresentam provas cabais de nada, o que demonstra que o que está em jogo é criar um imagem péssima do Irã no contexto da opinião pública mundial a fim de preparar um futuro ataque americano-israelita ao país. 

Na mesma linhas dos "Fake News" ontem o estado maior do exército de Israel divulgou que "Milícias palestinas" lançaram, da Faixa de Gaza, três projéteis contra Israel, sem causar danos, informou o exército israelense. “Outro projétil foi lançado da Faixa de Gaza para Israel”, indicou um porta-voz militar em comunicado, que esclareceu que ainda não foi identificado o ponto onde impactou. O exército não sabe dizer onde caiu o projétil mas sabe que ele foi lançado? Como? A idéia aí é clara: jogar a culpa no Hamas e responsabilizar o Irã pelo aumento dos ataques em razão de apoiar o Hamas. 

2. Acaba de acontecer um acordo semisecreto entre EUA e Israel sobre o destino do Irã. 

Israel e os EUA elaboraram um programa conjunto estratégico para conter o Irã durante um encontro secreto. Isto foi noticiado pelo chamado canal 10 de Israel. Em 12 de novembro uma delegação de representantes do setor de defesa israelense, liderada pelo conselheiro de segurança nacional Meir Ben-Shabbat, chegou aos EUA. Durante a visita, os israelenses se encontraram com seus colegas do Departamento de Defesa e inteligência norte-americanos, encabeçados pelo conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Herbert McMaster. De acordo com uma fonte no governo estadunidense, após dois dias de negociações os dois países firmaram um "memorando de entendimento sobre o Irã". O documento prevê criar quatro grupos de trabalho que vão tratar dos assuntos ligados aos programas nuclear e de mísseis iranianos.

O primeiro grupo de trabalho se ocupará do "trabalho diplomático secreto virado a suspender o programa nuclear do Irã", segundo as informações do canal.

O objetivo do segundo grupo será "limitar a presença do Irã na região, mais concretamente, na Síria e no Líbano".

O terceiro grupo se dedicará à "contenção do programa de mísseis iraniano" e "a prever as tentativas de fornecer mísseis ao Hezbollah (movimento libanês xiita).

Por fim, o quarto grupo de trabalho se concentrará "na escalada na região, que pode ser causada pelo Irã".

Altos funcionários de Israel confirmaram ao Canal 10 que Washington e Tel Aviv chegaram a um acordo estratégico quanto ao Irã.

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Não restam mais dúvidas a respeito de quem comanda o governo de Trump: são os judeus. A luta contra o Irã perpassa o objetivo de criação do grande Israel que se fará às expensas dos povos árabes sob a justificativa da luta contra o "terrorismo"; ainda é preciso que se diga que apontar o Irã como super ameaça a segurança do Oriente Médio por desenvolver um programa nuclear, é o cúmulo da desfaçatez quando Israel tem, pelo menos, 200 ogivas nucleares, podendo pulverizar todos os países árabes da região.

#Rafael Queiroz
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Chegados ao Natal celebramos, por mais um ano, o nascimento do Verbo de Deus entre nós. “Um salvador nasceu para vós em Belém que é Cristo Senhor”, é o anúncio da legião angélica. O significado disto é imenso mas tem passado ao longe das preocupações de uma sociedade cada mais materialista e pouco preocupada com o sentido profundo do nascimento de Nosso Senhor

Aquele que nasceu em Belém não foi um mero sábio, profeta ou médium – como querem algumas falsas doutrinas – mas Deus mesmo. Esta é a boa nova: Ele veio nos visitar tomando a forma de uma criança. Esta é a doutrina basilar do Natal: Deus se fez homem em Cristo. Compenetremo-nos desta verdade e veremos como ela é altíssima e sobrenaturalíssima na medida em que indica que O ETERNO não está longe de nós mas se fez igual a nós – exceto no pecado.

Sobre tal verdade meditemos primeiro que, aqueles que receberam Jesus no estábulo, não foram os cidadãos de destaque, a elite social ou intelectual, os ricos da nação de Israel da época, tampouco as autoridades políticas judaicas ou romanas, o que significa que Jesus não veio conforme os padrões do reino deste século. Em segundo lugar meditemos que o menino e sua mãe não encontraram lugar nas pousadas da cidade mas encontraram acolhida junto aos animais - a criação rende louvar a seu Deus - e aos simples pastores, símbolo dos pobres do Pai, dos humildes, daqueles que tem o espírito aberto ao Verbo Eterno e que, longe da corrupção do mundo buscam o Pai no silêncio, na oração e na humildade. Em terceiro lugar meditemos que ele nasce longe da cidade - que estava corroída por impiedade e ambição desmedida - e é acolhido e adorado pelos reis magos, príncipes sábios do Oriente que vendo a estrela reconheceram ali o verdadeiro Deus; sendo reis adoraram o verdadeiro regente do cosmos: os reis da terra adoram o rei dó céu. Trouxeram-no mirra, ouro e incenso por que Cristo é o homem das dores, é rei e é Deus. Mirra para preparar seu corpo para a sepultura depois da sua paixão e morte; ouro para sua coroa régia como soberano do Universo; incenso como sinal de adoração ao Filho do Pai, igual ao Pai, consubstancial a Deus.

Perante tal realidade mística a razão, iluminada desde o alto pela fé, pergunta-se: Por que foi o Filho que encarnou e não o Pai ou o Espírito Santo? Por que convinha mais ao Filho a encarnação que às outras pessoas da Trindade? O Doutor Angélico é quem nos responde na Suma Teológica em seu tomo 15, questão 3, artigo oitavo.

Como de costume Santo Tomás elenca as objeções à conveniência da encarnação do Filho, que ele reduz às seguintes:

1. Cristo veio ao mundo para dar aos homens o verdadeiro conhecimento de Deus o que, segundo alguns, conviria mais ao Pai dado que há aqueles que não distinguem, no Filho, a mesma natureza do Pai, fixando-se só em sua natureza humana. Ainda segundo estes, seria mais conveniente que o Pai tivesse encarnado pois isso teria evitado a heresia de Ário que, baseando-se num entendimento errado da frase de Cristo: “ o Pai é maior que eu”( quanto a sua natureza humana), negou sua divindade. Para evitar tal escolho parece que teria sido melhor o Pai se encarnar e não o Filho.

2. O efeito da encarnação é a “recriação”, pela graça, da natureza do homem. Ora, o ofício de criar é mais do Pai que do Filho; logo, seria mais condizente a encarnação do Pai que do Filho.

3. A encarnação se ordena à remissão dos pecados: “Seu nome será Jesus, o salvador; pois ele salvará o povo de seus pecados” (Mateus 1, 21). A escritura atesta que a remissão dos pecados é atribuída ao Espírito Santo ( João 20,22). Sendo assim convinha mais a encarnação do Espírito Santo que a do Filho.

Em resposta a tais argumentos Tomás diz que:

Contra isto diz São João Damasceno que “a encarnação manifestou a sabedoria e virtude de Deus; a sabedoria pois nos foi revelado o segredo de como pagar uma dívida difícil; a virtude pois, o que foi vencido, se fez novamente vencedor”.

Em resposta a objeção 1, o Doutor Angélico nos diz que era mais conveniente o Filho encarnar pois mais semelhante a nós já que ele é o conceito – Verbo – de toda a criação. O Pai criou olhando o Filho e modelou as coisas conforme a imagem d'Ele; cada criatura foi feita com base em uma perfeição que o Pai viu no Filho. Como toda a criatura existe como reflexo do Cristo convinha que nossa natureza fosse remodelada – depois do pecado – pelo seu modelo eterno, perfeito e imutável: Jesus Cristo. Assim, o Verbo é a sabedoria eterna, base e fundamento de todo verdadeiro saber humano. O homem se aperfeiçoa na sabedoria pois é alma racional, desde que participe da vida do Filho. 

Em resposta a objeção 2, Tomás explica que convinha mais ao Filho que ao Pai a encarnação pois nos tornamos predestinados a vida eterna como herdeiros do Pai e, para sermos herdeiros, temos que ser filhos e, para sermos filhos, temos que ser irmãos de Jesus, o filho natural de Deus. Por ele somos adotados pelo Pai. Em Romanos 8, 29 São Paulo deixa claro que fomos recriados conforme a Imagem Perfeita de Jesus por sermos filhos adotivos.

Em resposta a objeção 3 ele nos explica que convinha mais a Jesus – que é a Sabedoria do Pai – encarnar-se que ao Espírito Santo, pois ele veio para remediar o pecado que fora resultado do desejo desordenado pela ciência. O desejo incontido do homem de conhecer o bem e o mal, além dos limites impostos por Deus, precisava ser curado pela Verdadeira Sabedoria: Cristo que é a ciência do Pai veio ensinar aos homens o verdadeiro conhecimento, no lugar do falso ensinada pelo Diabo a Adão e Eva e seus descendentes.

Que neste natal Cristo, o Verbo, nos faça conhecer o Pai.

#Rafael Queiroz
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