Select Menu

Random Posts

Lorem 1

Technology

Religião

‹
›

Victor Barbuy

Racing

Rafael Queiroz

Brasil Lero Lero


Imagine o leitor que more em um grande centro urbano, um lugar gigantesco, cinza, extremamente populoso, com quase total ausência de "áreas verdes". Esta selva de pedra, sem dúvida, o tornaria mais propenso a alimentar fantasias apocalípticas: “o mundo está superpovoado”; “estamos destruindo a natureza”; “o ser humano é uma chaga no planeta”; e outras tolices mais. Alimentando tais fantasias, estaria, porém, apenas seguindo o coro midiático, com o adendo de justificar-se por uma experiência intima e pessoal. Todavia, tal experiência seria de sobremaneira local e não global. Se é evidente que as modernas megalópoles são um barril de pólvora, isto não se aplica a experiência humana no resto do planeta. Tratemos apenas do Brasil, provavelmente não sabe o leitor , mas apenas 4% do território nacional é ocupado por áreas urbanas, sendo além disto, a maioria delas pequenas e médias cidades. Diante de tal estatística falar em superpopulação é no mínimo risível. E se formos estender o raciocínio a nível global, em que países como o Japão correm o risco de desaparecer devido à baixa taxa de natalidade da população, a alegação malthusiana se torna ainda mais cômica. 


Voltemos a questão da destruição das florestas, florestas tais que, se pensarmos apenas em mata nativa, no Brasil ocupam 66% do território nacional. Haja vontade para desmatar tudo isso, não rsrs? Além de que, a grande vilã apontada por derrubar as arvorezinhas, a “maligna” agricultura, não chega a ocupar nem 10% do território nacional. Para ser mais exato, 7%, e com um uso tão modesto da terra já somos conhecidos como o “celeiro do mundo”. 

O que pretendo eu com este texto? Talvez construir sofismas para justificar a destruição da natureza pelas malignas corporações agroindustriais rsrs; na verdade busco apenas ajustar o senso das percepções, do global para o local. É evidente que existem problemas ambientais, problemas estes que afetam não só o corpo como também a alma, tendo em vista que: <Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras; [...] (Rm 1, 18)>, ou seja a contemplação da criação é uma das vias as quais nos levam a conhecer Deus, bem como a nós mesmos. Entretanto, agrupar tais problemas em uma metanarrativa ideológica, em que de modo histérico as preocupações dos indivíduos se voltam não para a tragédia ambiental no âmbito local - onde que terrenos baldios se tornam depósitos de lixo, antigos parques dão lugares a empreendimentos imobiliários, ciclovias são ignoradas em favor do lobby das montadoras - mas a um suposto desastre ambiental global - onde se grita em defesa da floresta (como um ente genérico e abstrato) e todo novo empreendimento é demonizado (hidroelétricas, grandes propriedades agrícolas, etc) - é no mínimo histeria. 

No fundo, estamos diante do ressurgimento de primitivas superstições, onde a natureza, Pachamama, torna-se um ídolo demoníaco que, toma as vidas e destrói a inteligência de seus devotos. 

O verdadeiro amor pela Criação, enquanto herança confiada a Deus ao gênero humano, se manifesta, sobretudo, em âmbito local. Quando os limites do visível se excedem demasiado, corre-se o risco de entrar nos sinuosos terrenos da ideologia.

#Edmundo Noir
-

A técnica e suas maravilhas são capazes de levar multidões de juvenas ao êxtase. A cada novo videogame, a cada nova bugigada da Apple, vemos uma multidão de fãs fanáticos em peregrinação. A Técnica (Tecnologia) é um dos ídolos (falso-deus) adorados pelos neopagãos hodiernos.

Forçando a analogia, assim como todos os deuses dos antigos pagãos são demônios, o ídolo da técnica pode vir a tomar o mesmo caminho, e em tempos de “êxtase” ainda há neopagãos com suficiente bom senso para perceber isto, e manifestar sua preocupação através de sua arte (no caso aqui tratado o cinema).

Inúmeros filmes (alguns bons, outros não tão bons e muitos horríveis) do gênero ficção científica tem trabalhado a imagem do demônio da técnica. Em O Exterminador do Futuro e Matrix temos a expressão gnóstica da criatura se revoltando contra o criador, se na modernidade o homem divinizou a si mesmo, nestas obras, a cria do homem, as máquinas, se revoltam contra este, reduzindo-o a escravidão. O conto de fadas distópico gnóstico de ambas as obras (que não recomendo a mentes fracas, pois além de cenas lascívias, as obras propagam falsas ideias heréticas) é interessante, mas de modo algum próximo a realidade. O robô, a máquina jamais será capaz de tal ato, desenvolver alma, consciência? Tolice! O homem não é um deus, não é capaz de criar vida, a máquina ao final será sempre um títere, o perigo não está no boneco, mas em quem manipula as cordas. Que em um futuro distópico as máquinas podem ser usadas para a criação de uma ditadura perversa e totalitária é uma possibilidade real, mas que o cérebro por trás dessa ditadura seria um cérebro robótico, isso é tolice! O poder estaria nas mãos das empresas que fabricam e controlam as máquinas, os velhos executivos de terno e gravata a dirigir as grandes corporações, protegidos por seu exército robótico.

Embora ausente nas obras citadas, a ideia de super corporações no topo de um governo despótico não é ausente na ficção científica. Em Avatar (mais uma obra não recomendada, alimenta o mito do bom selvagem de Rousseau e está recheada de propaganda esotérica da Nova Era) um planeta inteiro é devastado em favor dos lucros do grande capital; em O Vingador do Futuro (tirando algumas piadinhas imorais, pouco tenho a reclamar sobre está obra) o oxigênio, na ficção um recurso gratuito e abundante no planeta vermelho, é dito como escasso para não prejudicar os lucros da corporação que o comercializa. Mera ficção sem base alguma na realidade? Penso eu nos inúmeros desastres ecológicos silenciados, ou talvez na proposta de um dos figurões da Nestlé de privatizar a água….


Em O Sexto Dia (um bom filme, apesar das piadas imorais) temos nós também uma imagem interessantíssima da influência do lobby econômico sob o governo. No filme, os mais desonestos meios são usados a fim de pressionar o governo a revogar a chamada Lei do Sexto Dia, e permitir a clonagem humana, dar ao homem o poder de brincar de deus (velha heresia gnóstica). A narrativa apresentada pelos lobbystas? A “ciência” contra o “fundamentalismo” religioso. O paralelo do filme com as indústrias assassinas do aborto, eugenia e eutanásia é inevitável. Pena, que na vida real não temos um Schwarzenegger irritadiço para frustrar as pretensões gnósticas dos grandes figurões que pensam poder brincar com a vida humana.

Mas, se a Técnica restrita ao domínio das grandes corporações é um problema, tanto mais o é nas mãos do governo, e isto não escapa as lentes do cinema. No anti-clerical Equilibrium (onde é forçada uma analogia entre o governo totalitário e a Igreja Católica), ou em O Doador de Memórias (bom filme, vale a pena ver), onde, tal qual em Admirável Mundo Novo, o governo droga seus cidadãos a fim de manter a alienação perpétua, além de assassinar os improdutivos via eutanásia e extinguir as famílias em prol de uma produção de bebês em escala industrial sob o domínio da burocracia (está última ideia está inclusive presente em Superman: O Homem de Aço), a tirania da técnica sob o domínio estatal é desvelada. O que é isto senão o projeto novordista que vem sendo implantado em todo o mundo?

Se, a ralé dos idiotas neopagãos ainda insiste em idolatrar a técnica, ao menos algumas das figuras desta fauna já se libertaram dessa vulgar ilusão, e manifestam sua descrença pelas lentes do cinema.

Voltemos as cavernas então? Como a herética seita dos Amish, deixemos a Cidade em prol das Serras, fujamos para Walden? Não é isso que ensina a doutrina católica, Pio XII reafirma em Miranda Prorsus que a tecnologia em si é neutra, tendo potencial para ser usada tanto para o bem quanto para o mal.

É interessante notar como a quase hegemônica alienação televisiva foi quebrada com o advento da internet. Se o monopólio das técnicas de difusão de conteúdo seja sob as mãos do Estado laicista moderno, seja sob o poder das grandes corporações proporciona grandes males, a democratização dos meios de difusão representou uma grande dor de cabeça aos grandes figurões. Personagens controversos como Assange e Snowden tem sido incômodas pedras no sapato dos novordistas. Diante de tudo isso, em meio a esta cultura neopagã em que a tecnologia tem seu uso por vezes direcionado o mal, ao menos é melhor que esteja acessível a muitos, e não concertada nas mãos de poucos.

Concluindo, idolatrar a técnica pela técnica independente de seu uso é uma grande tolice que só pode ser concebida por neopagãos idiotas. Esta tem um potencial maléfico surpreendente, contudo a demonização desta parece uma tolice igual. O mais racional diante desta realidade é a boa e velha ética cristã, orientar o uso da técnica pelas leis morais da Igreja, e disseminar o seu uso, a fim de que tal arma não esteja sob o monopólio de poucos figurões. Neste sentido, viva o Linux!

#Edmundo Noir
- -
Rio de Janeiro-Hollywood-Tóquio, este é o eixo de difusão de ideias via entretenimento cujos ecos ressoam na mente do brasileiro. Vez ou outra ecoa aqui alguma coisa da “zoropa”, mas só depois de ter batido carimbo no Tio Sam.

Do Rio de Janeiro, do Projac, saem as degenerações nacionais da Rede Globo, regadas pelo substrato pseudo-intelectual das universidades brasileiras, como a USP e a UFRJ, difundindo pós-modernices que atingem as massas, de modo especial, as classes mais baixas, na forma de novelas, minisséries e programas "inteligentinhos" (estes mais ao gosto de classe média) como a dona Fátima Bernardes.

O entretenimento estadunidense (e o europeu com carimbo do Tio Sam) influi mais sobre as classes médias e altas. Chega via TV paga, cinema e Netflix. É artisticamente superior as produções nacionais, mas igualmente meio de difusão de uma filosofia antropocêntrica, pós-moderna, globalista e anti-católica. Além de gestar degenerados, o entretenimento americano causa a doença do viralatismo e dá ao consumidor uma falsa sensação de superioridade por consumir uma droga mais refinada.

Por fim, o entretenimento japonês, que atinge uma pequena parcela da população brasileira, sobretudo jovens com acesso à internet e tempo de ócio, um entretenimento igualmente problemático, mas, de natureza um tanto quanto diferente dos anteriores. Se a indústria cultural nacional e estadunidense estão comprometidas e submetidas ao projeto de poder novordista-marcusiano, o entretenimento japonês, por sua vez, é a expressão de um povo espiritualmente doente que busca na fantasia gnóstica a fuga do trauma advindo do pós-guerra.

Sob estes três pólos não têm a Igreja nenhuma influência, o que explica porque de difundirem degenerações. No caso dos dois primeiros (Rio-Holywood), temos uma estrutura abertamente hostil e inimiga da Fé e dos valores católicos, comprometida um projeto de poder que visa a destruição do cristianismo e sua assimilação em uma espiritualidade new age híbrida e sincrética. No caso do terceiro (Tóquio) temos uma terra que não foi evangelizada de forma satisfatória, que guarda as chagas de um passado pagão clássico e o parasita gnóstico-moderno em alto grau de desenvolvimento.

Poderia o leitor acusar-me de simplismo, aceito a acusação. Realmente, este esquema dos eixos culturais é demasiado simplista, mas é um simplismo com fins pedagógicos. É certo, por exemplo, que pólo norte-americano é palco de uma guerra interna entre o projeto novordista-marcusiano e um projeto nacionalista-neocon (resíduo da fase anterior da revolução); certo é também que para além das produções televisivas e cinematográficas há a influência de cada um destes pólos culturais no mundo da música, e em menor grau, por meio da indústria dos quadrinhos e livros pops; mas por agora fiquemos com o modelo inicial afim de extrairmos dele algumas consequências.

Como não há na atualidade uma "potência cultural" católica, sendo as manifestações dos filhos Igreja na cultura pop raríssimas, constituindo quase que uma subcultura, inevitavelmente o católico brasileiro será consumidor dos produtos culturais advindos destes três pólos, a menos que magicamente surja do “nada” uma nova indústria cultural católica com pretensões globais, coisa está não muito provável no curto e médio prazo. Neste cenário, o caminho para a lida do católico com a cultura pop é apenas um: não “seje” trouxa, ou em linguagem bonitinha: não seja um consumidor passivo, mas um espectador crítico. Jamais sente na frente da TV e torne-se refém do que “está passando”, da programação previamente escolhida e desenhada pelos donos de uma emissora anti-cristã; não invente de assistir uma série só porque "todo mundo está comentando", a popularidade em uma cultura pagã-mundana nunca é um guia seguro. Faça uso da crítica, e de um apurado discernimento, selecione previamente e detalhadamente o conteúdo que vai consumir, do contrário, vai assistir porcaria e ter a cabeça envenenada por degenerações.

A tudo isso junta-se mais uma dificuldade: não existe em nosso país uma crítica cultural católica. Daí, na hora de avaliar a pertinência de determinado entretenimento vai ter que acabar recorrendo a crítica pagã-mundana para formar seu juízo inicial com relação a determinada obra.

Sim, a coisa é feia, e do ponto de vista da guerra cultural estamos anos atrasados. Mas choramingar não adianta; já passou da hora de abandonar a passividade e ingenuidade infantil e encarar as coisas como são. A vitória no campo político-institucional depende antes de uma vitória hegemônica do campo cultural, e neste front, nós filhos da Igreja estamos perdendo de lavada.


#Edmundo Noir
-
O velho conto de fadas de João e o Pé de Feijão nos oferece uma imagem simbólica interessante para avaliarmos certas verdades do nosso tempo. 

O pequeno João, fraco e indefeso frente ao gigante que habita as alturas do Pé de Feijão; imaginem o medo, a insegurança e a vulnerabilidade do garoto frente à tão monstruosa criatura. A mesma vulnerabilidade experimenta hoje o homem moderno frente a duas outras feras: o Estado e o Grande Capital.

Falemos primeiro do segundo tão lembrado pela esquerda (ao menos no século passado) e tão esquecido por uma direita tola. O Grande Capital, como um polvo gigante que estende seus tentáculos por toda a parte, reduz os homens a escravos, ceifa vidas, destrói a Criação, soterra culturas e costumes tradicionais. Vale tudo desde que dê lucro. Lucro! Eficiência! Produtividade! Moralidade? Dignidade Humana? Meio-Ambiente? Isso é papo de comunista dizem os arautos do Tio Patinhas, como capatazes defendendo o patrão que paga seus salários.

Do outro lado temos o Estado, um grande paquiderme, que com seu aparato repressivo e seu corpo de técnicos e burocratas que tolhe a liberdade dos indivíduos querendo regular cada centímetro de sua vida segundo a arbitrariedade das mentes "iluminadas". Os horrores do comunismo e do nazismo já mostram de forma suficientemente clara a tirania de um Estado inchado; a literatura de ficção também desenvolveu bem esse pesadelo com 1984, Admirável Mundo Novo entre outros.

O conflito entre direita-esquerda se resume na patética estratégia de buscar a proteção de um desses monstruosos gigantes contra o outro. A esquerda quer usar o Estado para frear o Grande Capital; já a direita prefere buscar refúgio no Grande Capital contra o Estado.

Tolas pretensões! O que vemos em nosso tempo é que os gigantes se dão as mãos, se aliam para oprimir o pobre homem comum. Os homens que detém o grande capital são os mesmos responsáveis por controlar o gigantesco aparato técnico-estatal; eis em resumo a essência do bloco globalista novordista.

E frente a estes dois gigantes aí está o homem comum: fraco e indefeso. Outra historia de gigantes, essa fora do terreno da ficção, nos revela um caminho: como o pequeno Davi diante de Golias, agora só resta ao homem clamar a Deus. E Deus escuta! A Igreja que Ele instituiu ainda grita em defesa dos pequeninos, ainda tem a coragem de denunciar os desmandados do Grande Capital e o perigo do um Estado agigantado. Mas, é como uma ''voz que clama no deserto'', solenemente ignorada sob acusações de ''comunista''; ''opressora'' e ''obscurantista''.

Longe de meras teorias abstratas, o que esse texto procura oferecer ao pequeno João são indicações práticas e concretas: não caia na lábia dos monstros a direita e a esquerda, não entregue sua segurança nas mãos de uma suposta lógica da mão-invisível, tampouco em um corpo de burocratas anônimos e sombrios. O mercado precisa ser controlado, e tal controle deve ser feito pelo indivíduo associado de seus irmãos em associações locais.

A começar por uma família forte e patriarcal, seguida pela união destas famílias a fundar escolas, associações de caridade, sindicados e guildas, instituições culturais e etc. Eis a aplicação prática do principio de subsidiariedade.

Famílias, Associações Locais e Regionais, maior poder aos Estados e Municípios, menor poder a União (e a ONU) ao mesmo tempo um racional controle e limite sobre o poderio econômico. Aí está a estratégia para sobreviver ao ataque dos gigantes. Entre um socialismo estatal e um capitalismo neoliberal, nada melhor que o velho provincialismo feudal.

#Edmundo Noir
-